sábado, 31 de outubro de 2026

Estratégia de Decisão / Teoria dos Jogos


BARRICHELO, Fernando. 'Estratégias de decisão: decida melhor com insights da Teoria dos Jogos'. Joinville: Editora Clube de Autores, 2017.


Fazer uma escolha significa assumir um poder de tomada de decisão. Varia, no entanto, o leque de informações que estão disponíveis para uma decisão possa ser tomada. Dentre as variações possíveis, há as escolhas feitas quando há uma certeza (com base um conhecimento adquirido sobre o assunto), quando se estima uma probabilidade para os fatos que estão por acontecer (quando o acesso à informação não é integral), e frente a circunstâncias de ação e reação (quando uma escolha implica numa escolha de outra parte que impacta as consequências de sua primeira escolha). Quanto mais pessoas envolvidas nas respostas a uma tomada de decisão, maior a complexidade das relações causa e consequência das escolhas a serem feitas.

O poder de se fazer as melhores escolhas, aquelas que estrategicamente te retornam maiores benefícios, implica, para você, os resultados de longo prazo na sua vida são mais positivos, alinhando suas ações com os seus propósitos, tendo capacidade de se comunicar melhor, de forma mais clara e objetiva.

Uma tomada de decisão para ser eficaz, envolve analisar informações de maneira criteriosa para compreender as melhores opções disponíveis, identificando padrões, relacionamentos e tendências que possam orientar cada uma de suas escolhas. Este processo requer uma combinação de escolha racional - que avalia custos, benefícios, perdas e ganhos de cada alternativa - e de julgamento moral - que considera os impactos éticos de cada uma de suas decisões -.

Ao mesmo tempo, um raciocínio o mais científico possível contribui para a formulação de hipóteses com base em evidências, com a lógica permitindo organizar argumentos de forma coerente e consistente. A solução de problemas emerge da integração destas capacidades, sendo enriquecida pelo raciocínio análogo, que utiliza experiências e situações semelhantes para gerar ideias e antecipar consequências. Desta forma, é possível priorizar ações de maneira fundamentada e assumir com responsabilidade os resultados decorrentes de cada escolha.

O padrão de organização humano foi erguido em torno de estímulo por incentivos, um meio para tentar estimular as pessoas a fazerem mais coisas construtivas e boas para a coletividade, e menos destrutivas e ruins para a coletividade, em formato de recompensas ou punições. Tais incentivos podem ser morais (não cometimento de atos considerados errados), sociais (não ser reconhecido pela sociedade como alguém que age errado) ou econômicos (recompensas/punições financeiras).

Para escolhas conscientes é preciso se entender a essência do perfil. As tomadas de decisão que definem as escolhas são pautadas se há propensão ou aversão a risco, se os objetivos que se quer alcançar são de curto ou de longo prazo, entre outras dimensões psicológicas por trás do que se deseja alcançar. São os alicerces de autoconhecimento que são fundamentais para embasar aquelas que virão a ser as melhores escolhas.

A sobrevivência das sociedades humanas ao longo da história foi sustentada por meios que viabilizaram a construção da colaboração como forma de se prover mais benefícios à coletividade. Em caminho inverso, colapsos sociais sempre implodiram a organização de grupos humanos quando, enquanto alguns colaboravam para o benefício coletivo, alguns outros percebiam que podiam se sair melhor ao quebrar a cooperação em prol da obtenção de benefícios individuais. Nisto, o fator desafiador sempre foi um mesmo: um grande dilema social em torno do fato de que mesmo que a cooperação produza melhor resultado coletivo em prol do benefício de todos, soluções cooperativas nunca foram resultados facilmente alcançados, já que por trás da natureza humana, traições sempre estiveram, estão, e sempre estarão, à espreita.

A grande dificuldade em transformar soluções teóricas num diagnóstico que viabilize transformações reais, está na capacidade de fazer um mapeamento real de fatos e dados para um entendimento do todo. É difícil porque a solução teórica é uma simplificação com as informações de fatos e dados já fornecidas, como se fosse um enunciado de uma questão de prova. No mundo real, é preciso aprofundar conhecimentos para mapear todos os elementos que te levarão à consideração de dados reais e corretos. As soluções teóricas não fazem isto por você, para isto entra como diferencial a capacidade de autoconhecimento.

A grande complexidade está em se obter as informações corretas. Os modelos teóricos apenas ajudam a entender e projetar o que fazer com elas, uma vez que tenham sido obtidas. É onde estão os fatores mais complexos e as complicações, pois diferentemente da teoria que apresenta modelos simplificados, no mundo real há que se trabalhar os dados para transformá-los em informações úteis. E ainda há barreiras a serem superadas: os fatores psicológicos são a causa de termos dificuldade em admitir falhas, pois há o receio de que elas levem os outros a não visualizar uma aparência de coerência nos atos de quem falhou. Então ainda há tais barreiras a serem superadas para se alcançar os núcleos do que precisa ser trabalhado e melhorado para ser transformado em resultados melhores.

Às escolhas que fazemos, todo o mundo ao nosso redor está respondendo, cada um tomando suas próprias decisões, fazendo as suas próprias escolhas pessoais, individual e coletivamente. Os resultados finais são fruto das combinação entre todas elas.

Numa visão mais geral, o objetivo do nosso conhecimento talvez esteja todo voltado para questões práticas. Mas uma reflexão mais aprofundada concluiria que o objetivo está, e sempre esteve, desde as formas mais rústicas de conhecimento humano, repousado sobre o poder de previsão, no sentido de se fazer útil, no sentido de antever consequências e relacioná-las com as suas causas. Nossa capacidade de compreensão de tudo que nos cerca repousa na compreensão de como cada conceito se encaixa uns aos outros e se relacionam entre si, de forma a organizar a nossa compreensão dos atos e fatos que observamos de uma forma que nos seja útil, que nos agregue valor, propicie-nos alguma forma de ganho.

A racionalidade humana atua sempre em torno de propósitos, de uma forma relativamente considerada lógica, tendo bem claro quais são os objetivos, a motivação para os atingir, e com a necessidade do cálculo necessário para fazê-lo. Entretanto, na vida real, nossa natureza humana nem sempre é movida por lógica racional. Muitas vezes somos guiados por objetivos e comportamentos subconscientes, ou mesmo conscientes, que muitas vezes podem ser não racionais, mas emocionais.

Mesmo quando temos a nossos objetivos bem claros e definidos, a nossa motivação para os alcançar pode ser inferior à necessária. Para o bem ou para o mal, é assim que as coisas são, é assim que funcionamos. Nos relacionamentos humanos, devemos aceitar a cada um como ele ou ela são, sem forçar moldes que não lhes sejam apropriados, deixando cada um se desenvolver ao seu tempo e à sua maneira. O que precisa haver é aprendizagem contínua. Precisamos, todos, aprender com os nossos erros. Isto é primordial para encontrarmos evolução e desenvolvimento. Quando a aprendizagem é contínua, com o entendimento por trás dos padrões que se manifestam repetidas vezes, segue-se uma trajetória de se estar cada vez melhor. É disto que se trata o amadurecimento.

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