Durante o período "Entre Guerras", o desenrolar das consequências da Primeira Guerra para Alemanha, Itália e Rússia, somando-se a acontecimentos nos Estados Unidos que indiretamente alimentaram as debilidades econômicas, é o que explica porque uma Segunda Guerra eclodiu tão pouco tempo depois.
O Tratado de Paz de Versalhes ao fim da Primeira Guerra nunca foi bem digerido por Alemanha e Rússia, que consideravam ter perdido territórios que entendiam ser sua posse por direito. Tais ressentimentos foram o epicentro para que duas décadas depois eclodisse a Segunda Guerra Mundial. Mas os dois não foram os únicos insatisfeitos, também houve insatisfações do lado vencedor, em um país que viria se alinhar às insatisfações alemã e russa no fim do desenrolar de tais consequências. Após a Primeira Guerra Mundial a Itália esperava ser recompensada no lado vencedor, mas ficou tão decepcionada com as negociações de paz em Paris em 1.919 que se retirou do encontro antes de seu fim. Os italianos ficaram desiludidos, entendendo que seus grandes sacrifícios humanos na guerra foram pouco recompensados. Frente a tal desconforto, havia um forte tambor nacionalista esperando para ser tocado, ainda mais diante de graves problemas econômicos e sociais que eclodiram decorrentes da depressão econômica no pós-guerra.
Quem o aproveitou, apoderando-se deste tambor e o fazendo ressoar forte, foi um jovem líder político em ascensão: Benito Mussolini. Filho de um revolucionário, herdou seu nome de um radical revolucionário do processo de independência do México (Benito Juarez). Foi professor e editor de jornais radicais, primeiro um chamado "Luta de Classes" na cidade de Forli, e depois em outro chamado "Avanti", jornal oficial do movimento socialista em Trento.
Durante a Primeira Guerra, Mussolini foi ferido pela explosão de uma granada num campo de batalha, um elemento a mais a ajudá-lo a mover as pressões psicológicas das grandes massas. Em março de 1.919, ele fundou o Partido Fascista em Milão, cuja bandeira era em favor da imposição da ordem no cenário social caótico que a Itália atravessava. Denunciava as altas taxas de desemprego, e defendia bandeiras trabalhistas contra o individualismo capitalista, mas não com uma luta através de sindicatos de trabalhadores, mas através de um estado forte, poderoso, impositor da ordem, capaz de julgar e inspirar, com um forte teor patriótico-nacionalista, para reconduzir a Itália a seus grandes dias do passado.
Acreditando na ordem imposta pela força bruta das armas, os fascistas se inspiravam na autoridade aos moldes do Império Romano. Vestiam camisas negras, combatiam grupos de socialistas, atacavam a própria polícia, feriam adversários, e tomavam o controle de repartições públicas usando a força. Em outubro de 1.922, o movimento chegou a reunir 50 mil "Camisas-Negras" nas ruas para desafiar armados a seus rivais.
Com um poder crescente, Mussolini estava em Milão quando recebeu um telegrama o convocando a ir a Roma, a convite do rei, para que fizesse parte de seu gabinete de segurança pública a fim de controlar as forças armadas junto a outros heróis de guerra. Seis semanas mais tarde, o parlamento italiano concedeu a ele e seu gabinete, por ampla maioria (rejeição apenas de socialistas e comunistas), o direito de governar por decreto durante um período de um ano sem precisar prestar contas ao parlamento. A Itália estava oficialmente sob um regime autoritário! Dissidentes foram deportados, as greves proibidas, e houve interferência nas universidades e censura nos meios de comunicação. Foi sob este autoritarismo que a Itália se reergueu do caos, passando a obter crescimento econômico e redução dos níveis de desemprego. Por conquistar o fim da desordem social, Mussolini ganhou a simpatia da ampla maioria da população, e nas eleições nacionais de 1.924 conquistou uma expressiva vitória por voto popular. Era o início a um processo de controle autoritário e antidemocrático que perduraria até o desenrolar dos fatos da Segunda Guerra Mundial.
Na Rússia a bandeira era outra, mas igualmente totalitária, sustentada por um autoritarismo extremo. Lá, as pessoas passaram a ter medo de expressar as suas ideias, pois se o governo suspeitava que qualquer cidadão tinha pensamentos considerados subversivos a respeito de assuntos como política, religião, economia, literatura e artes, tais cidadãos eram presos. Assim, vizinhos e familiares se viraram uns contra os outros! O Regime Bolchevique assumiu o nome de Regime Comunista e declarou guerra à classe média (antiga burguesia) e à elite ligada ao antigo Regime Czarista. Em novembro de 1.918, no jornal "Terror Vermelho", um chefe da polícia secreta declarava: "não são necessárias provas para justificar uma alegação de que um membro destas classes mais ricas havia agido com palavras ou atos contra o poder soviético".
Este experimento socialista às vezes estagnava, às vezes progredia, e às vezes estagnava novamente. De início, a maior parte das indústrias nas cidades foi nacionalizada e estatizada. Bancos, ferrovias privadas, estaleiros e grandes fábricas passaram a ser gerenciados pelo governo. Com alguns golpes de caneta, foi feito o maior confisco de propriedades da história da humanidade. As fábricas menores foram poupadas e permaneceram privadas. A liberdade religiosa foi atacada, e o cristianismo se tornou vítima de escárnio oficial. Muitos bispos e padres da Igreja Ortodoxa foram presos ou assassinados, porque eram considerados inimigos da revolução, o que de fato é irrefutável que eram.
As condições econômicas não tardaram em se deteriorar, com a moeda local perdendo valor. Os produtores muito rapidamente perderam interesse em produzir excedentes, já que não havia por que fazer um esforço pelo qual não seriam remunerados. Começou a haver crises de abastecimento. Embora a sociedade russa fosse predominantemente agrária, diante deste desabastecimento de produtos agrícolas que gerou crises de fome em diversas cidades, Lenin teve que admitir que os fazendeiros estavam passando por uma "crise extraordinariamente aguda", o que o levou a rever as normas do regime, ao menos temporariamente. Em março de 1.921, a política mudou, e os camponeses voltaram a receber incentivos para plantar e para vender parte de sua produção em mercado aberto, por fora do centralismo governista, no que foi chamada de Nova Política Econômica. Porém, uma severa seca impediu que a flexibilização surtisse efeito e a severa fome só foi aliviada pelo recebimento de produtos alimentícios enviados pelos Estados Unidos.
Lenin morreu em 1.924, aos 54 anos de idade, vítima de um derrame. Seu corpo foi embalsamado e colocado num mausoléu na Praça Vermelha, em Moscou. Ele havia triunfado graças a seu perfil focado em ações pragmáticas e de correção ideológica. Com a sua morte, qualquer reformismo foi deixado para trás. Seu mais provável sucessor natural parecia ser Leon Trotsky, mas este acabou sendo posto de lado e sendo expulso da Rússia cinco anos mais tarde. Trotsky acabou assassinado na Cidade do México em 1.940 por ordem daquele que veio a ser o efetivo sucessor de Lenin, um outro homem que usava um pseudônimo: Joseph Dzhugashvili, nascido nas montanhas do Cáucaso, na Geórgia, que havia mudado seu nome para Stalin, que significava literalmente "Homem de Aço". Ele acreditava que era o momento de reacender a chama do comunismo, e de transformar a União Soviética - um populoso país essencialmente rural - numa potência mundial.
Ele produziu em 1.928 uma campanha, a qual chamou de Plano Quinquenal, para produzir mais eletricidade, maquinário pesado, ferro, aço e carvão. Todas as metas foram atingidas em menos de 5 anos, sendo sucedido por um novo Plano Quinquenal. As grandes cidades foram dominadas pelo barulho de martelos mecânicos, serras elétricas, britadeiras, rolos compressores, guindastes e motores. Entre 1.928 e 1.940, a produção de aço, cimento e carvão da União Soviética quadruplicou. Em 1.939, o país estava em 3º lugar entre as potências industriais do mundo, um feito impressionante. O nível de alfabetização - baixíssimo no tempo dos czares - tornou-se praticamente igual ao da maioria da Europa Ocidental. A educação, avançada e técnica, era gratuita e atraía uma grande quantidade de jovens. Os serviços de saúde eram muito mais amplos e de melhor qualidade do que os de 25 anos antes.
Entretanto, isto ainda não os livrou de sérios problemas econômicos. Em 1.929, cerca de 25 milhões de pequenas fazendas familiares foram tomadas das mãos dos pequenos produtores camponeses em nome do povo (muitos destes camponeses foram assassinados sob a acusação de serem capitalistas), com as terras transformadas em fazendas coletivas inicialmente sendo intensivas em mão-de-obra, e gradativamente sendo mecanizadas, visando uma maior capacidade de produzir mais comida. As fazendas coletivas eram completamente destituídas de incentivos para que as pessoas se empenhassem, e a produção rapidamente sofreu uma queda vertiginosa, com o modelo de produção logo passando por problemas de eficiência na capacidade de gerar comida suficiente para abastecer a toda a população. Em decorrência da desordem rural no início dos Anos 1.930, uma nova onda de fome se instalou, e cerca de 10 milhões de pessoas morreram por falta de comida na União Soviética neste período, quantidade aproximadamente equivalente ao total de mortes da Primeira Guerra Mundial. Toda esta história de sucessos e fracassos das vertentes autoritárias de governo na Itália e na Rússia os levaram a ambições imperialistas.
Assim também aconteceu no terceiro país europeu que se embrenharia numa vertente de autoritarismo, aquele que viria a ser a peça central por detrás da eclosão da Segunda Guerra Mundial. Antes de chegar a ele, porém, é necessário abrir um parêntese para falar dos acontecimentos econômicos de 1.929 que eclodiram nos Estados Unidos, os quais jogaram a economia mundial numa profunda espiral recessiva, aquela que daria o molho final aos descontentamentos e aspirações de retomada da grandeza de outrora que transformaram os descontamentos com os acordos de paz pós Primeira Guerra no combustível de eclosão da Segunda Guerra. Foi gasolina lançada à fogueira!
A Primeira Guerra Mundial havia enfraquecido à Europa de tal forma, que sua participação no total da população e da economia mundial havia caído consideravelmente. O centro das finanças global se mudou para os Estados Unidos da América. A dívida nacional da Grã-Bretanha aumentou 11 vezes, as de França e Itália 6 vezes. Todos os preços subiam enormemente, tendo havido hiperinflações em Áustria, Polônia, Rússia e Alemanha. Pela primeira vez a economia dos principais países europeus dependia de Nova Iorque, que como centro econômico-financeiro emergente não tinha a mesma experiência para enfrentar crises do que Londres. E o que aconteceu em 1.929 superou a qualquer outra crise econômica vista antes dela. Numa conjuntura na qual era absurdamente fácil tomar dinheiro emprestado para comprar ações na bolsa de valores, a especulação desenfreada criou uma bolha de negócios sem lastro. Em 24 de outubro de 1.929, a Bolsa de Valores de Nova Iorque abriu ativamente, sem dar sinais de problemas. Então por algum motivo - real ou não - uma histeria se alastrou e levou a uma corrida por venda de ações, levando a uma queda brusca e acelerada nos preços das ações que só aumentava a cada hora que passava. Naquele dia, o número total de ações negociadas no pregão superou em 50% o total negociado em qualquer outro dia, antes e depois, na história da bolsa. O colapso levou a uma sequência de falências de empresas, causando a mais forte retração econômica já vista, a qual se alastrou por todo o planeta. Esta recessão deu margem a várias mudanças políticas induzidas por ela por todos os lados: na América Latina, por exemplo, em 1.930 e 1.931, longas greves, marchas pelas ruas, e protestos violentos, tornaram-se frequentes, levando à derrubada de governo em 11 de seus 20 países.
Foi a depressão econômica mundial que levou o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores, e seu líder Adolf Hitler, ao poder, depressão que também prejudicou de tal modo a moral e a orientação tanto de França quanto de Inglaterra, que os dois países perderam o controle sobre a Alemanha, permitindo o seu rearmamento em uma época na qual seria possível ter evitado isto. O afrouxamento aconteceu também porque o mundo vivia uma fase de conflitos bélicos raros. Entre 1.920 e 1.939 ocorreram guerras restritas a poucas nações, e guerras curtas, tendo havido três casos como exceção: a guerra implacável entre Grécia e Turquia no início dos Anos 1.920, a qual matou cerca de 50 mil pessoas, a Guerra do Chaco nas planícies da América do Sul, entre 1.932 e 1.935, envolvendo Paraguai e Bolívia, a qual deixou cerca de 130 mil mortos, e uma guerra entre China e Japão iniciada em 1.937.
Na Ásia oriental, em 1.931, o Japão havia invadido e conquistado a Manchúria, o que foi um prelúdio de sua invasão à China em 1.937. As maiores agitações bélicas efetivas, porém, estavam acontecendo longe da Eurásia: em 1932, Bolívia e Paraguai entraram em guerra, assim como Peru e Colômbia, e em 1933, os australianos do oeste tentaram dividir a Austrália em dois países. Distúrbios pequenos para a escala de acontecimentos globais que estava em marcha.
Com a Crise de 29, todo o capitalismo mundial ficou uma desordem. A grande maioria das cidades da Europa mantinha cinturões de pobreza extrema e um grande número de desempregados. Durante os Anos 1.930, as crises de abastecimento e fome em solo russo eram tidas por muitos europeus como meros acidentes de percurso, com a Rússia comunista passando a ser aclamada como a fórmula para o futuro, com discursos exaltando as fazendas coletivas e as cidades-jardim da União Soviética como um "imediato e enorme sucesso a ser copiado" em todo o Ocidente.
A “Grande Depressão” deixou marcas em um país da Europa em especial: a Alemanha. Desde 1.918 sua economia dava sinais de vulnerabilidade. A obrigação de pagar grandes reparações de guerra a seus inimigos vitoriosos foi um golpe de longo prazo em sua estabilidade. Sua economia foi ficando cada vez mais enfraquecida. Era uma nova realidade após o "Milagre Econômico Alemão", que entre 1.850 e 1.914 havia levado a nação ao topo do poder econômico europeu. Quando a Áustria-Hungria e a Alemanha começaram a ter problemas com a Rússia e a Sérvia, muito do apoio de França e Inglaterra aos russos foi um contraponto cujos reais interesses eram econômicos, na luta para manter espaços que cada vez mais a emergente economia alemã lhes tomava.
Esta debilidade econômica na Alemanha deu margem ao surgimento de novas lideranças no país: Adolf Hitler nasceu na cidade de Braunau, na Áustria, onde teve oportunidades de acesso à educação na infância acima da média para os padrões de seu tempo. Na adolescência, seguiu carreira em belas artes, tendo chegado a Viena aos 16 anos, onde teve uma carreira de pouca expressão como pintor. Mudou-se então para Munique, na Alemanha, e logo no início da Primeira Guerra Mundial se alistou no exército, seguindo para combater na frente oriental. Ele era o responsável por carregar mensagens entre as trincheiras, uma das tarefas mais arriscadas em meio às balas disparadas e as bombas explodindo. Chegou ao posto de cabo, mas acabou incapacitado pela exposição a gases tóxicos.
O destino final da Alemanha ao fim da Primeira Guerra o deixou consternado, sentindo-se traído pelos líderes da nação. Buscou então à política para através dela ajudar a reerguer o seu país, assumindo a liderança de um pequeno grupo bávaro que foi batizado como Partido Nacional Socialista Alemão dos Trabalhadores, com o qual organizava palanques na rua, onde afinou a sua capacidade como orador. Tentou derrubar o governo da Baviera e acabou preso. Na prisão escreveu um manifesto combinando suas memórias e propostas de solução dos problemas do país - o livro Mein Kampf ("Minha Luta", traduzido) - publicado em 1.925 e adquirido por somente algumas centenas de leitores.
Após a sua saída da prisão, Hitler voltou a se dedicar a seu partido, mas o mesmo ocupava uma posição baixa no segundo escalão do cenário político alemão, tendo em sucessivas eleições alcançado apenas uma pequena fração do total de votos. Sua promessa imutável era a de que tornaria a Alemanha grande novamente. A sua principal bandeira era o ataque ao comunismo, ao qual chamava de "conspiração judaico-bolchevique".
Quando a Depressão pós-1929 se alastrou, a Alemanha foi duramente atingida, mais do que qualquer outro grande país. Em 1.932, o rendimento industrial alemão regressou a 60% do nível que existia em 1.929. Em Berlin, Dresden e outras grandes cidades, multiplicava-se a quantidade de pessoas vestindo farrapos lutando pela subsistência nas ruas. A taxa de desemprego alcançou 30% da população. Hitler emergiu então como quem oferecia patriotismo e ações firmes. Nas eleições de 1.932, seu partido obteve surpreendentemente 18% dos votos. Numa votação seguinte no mesmo ano subiu para 37%, com o Partido Nazista obtendo a maior votação dentre todos. Em janeiro de 1.933, Hitler foi convidado para o cargo de chanceler alemão (equivalente a primeiro-ministro) em um governo de coalizão. Em agosto de 1.934, com a morte do então presidente, Adolf Hitler foi eleito com 88% dos votos para o cargo, uma vitória esmagadora!
O governo alemão passou a se utilizar massivamente do gasto público, enquanto os demais países buscavam economizar, e assim a prosperidade econômica de curto prazo se instalou com o seu governo, com o desemprego caindo drasticamente, passando a ser o mais baixo do mundo industrializado no início de 1.935.
Em paralelo, aos poucos Hitler foi mutilando à democracia alemã: os outros partidos foram extintos, os sindicatos esmagados, o medo de ser espancado, aprisionado ou humilhado em público havia se tornado parte de um novo estilo de vida. Não era fácil protestar contra a ascensão de um ditador implacável, enquanto a esperança na economia germinava e levava a crer que a Alemanha voltaria a seus dias de glória anteriores à Primeira Guerra Mundial.
Hitler estava rearmando a Alemanha sem fazer segredo. Em 16 de março de 1.935, ele simplesmente anunciou unilateralmente que o Tratado de Versalhes já não era mais válido, não havendo mais restrições ao rearmamento alemão. Três meses mais tarde, conseguiu convencer a Grã-Bretanha a deixá-lo reconstruir a sua marinha até um terço da marinha inglesa. No ano seguinte, enviou seu exército para reconquistar a Renânia, sendo bem-sucedido. Em 1.938, anexou partes da Áustria e da Tchecoslováquia. Ao mesmo tempo seu antissemitismo se manifestava cada vez mais forte: os judeus controlavam as principais instituições da economia alemã. Contra as imposições capitalistas destes ao povo alemão, seu governo lançou decretos que restringiam os direitos civis de qualquer judeu, que deixava de ser considerado cidadão da Alemanha. Ciganos e homossexuais logo também se tornaram alvos de seus decretos. Este modelo, de forma mais branda, também foi seguido por Mussolini na Itália, e é verdade que tinha simpatizantes em todos os países da Europa.
Como já dito, o Tratado de Paz de Versalhes ao fim da Primeira Guerra nunca havia sido bem digerido por Alemanha e Rússia, que ainda consideravam ter perdido alguns territórios que entendiam ser sua posse por direito. Vinte anos depois tais ressentimentos levaram a uma aliança insólita, ainda que de lados ideologicamente opostos, a Alemanha de Hitler e a Rússia de Stalin se aliaram para recuperar os territórios que entendiam por direito ser seus. Em 1.939, as duas potências combinaram secretamente invadir a Polônia para dividi-la entre elas. Um pacto que aturdiu à Europa. A Polônia era uma das maiores nações europeias, formada a partir de territórios tomados de três grandes nações: Alemanha, Império Austro-Húngaro e Rússia, também contava com o maior contingente de judeus na Europa.
Em 1º de setembro de 1.939, Hitler invadiu a Polônia. Quinze dias depois foi a vez da Rússia completar a invasão. Os russos foram além e retomaram parte da Finlândia. Grã-Bretanha, França, Canadá, Austrália e Nova Zelândia se puseram imediatamente contrários à aliança, mas decidiram num primeiro momento não agir militarmente.
Na primavera de 1.940, o apetite conquistador de Hitler cresceu, e a Alemanha invadiu e conquistou Dinamarca e Noruega em abril, Holanda e Bélgica em maio, e se preparou para invadir a França. A Grã-Bretanha demorou a intervir, e os franceses tiveram que se defender sozinhos. Em uma ou duas semanas, as divisões motorizadas do exército alemão atravessaram terras nas quais durante os quatro anos da Primeira Guerra os combates tinham se tornado um beco sem saída. Rapidamente o exército alemão se aproximou de Paris, enquanto um exército civil de refugiados franceses fugia a pé para o sul, levando o que podiam de seus bens. Em 14 de junho de 1.940, os primeiros soldados alemães começavam a entrar na capital francesa. Quase toda a Europa Ocidental estava então em poder de Adolf Hitler, exceto alguns países como Espanha, Portugal, Irlanda, Suíça e Suécia, nações mais ou menos neutras. Em 8 de agosto foram iniciadas as ações para derrubar a Grã-Bretanha, tendo sido lançados bombardeios a áreas militares e de logística da Inglaterra e da Escócia. Em setembro houve ataque a Londres, com 400 aviões atacando a cidade. Ao longo da história, centenas de cidades tinham sido sitiadas e atacadas por artilharia, mas esta era a primeira vez na qual o coração de uma grande metrópole podia ser bombardeado diretamente pelo céu!
Logo após a queda de Paris, Stalin invadiu e tomou Lituânia, Letônia e Estônia. A Europa estava praticamente toda dividida entre alemães e seus aliados por um lado, e pelos russos de outro. De um lado, a Alemanha - com apoio de Itália, Hungria e Bulgária - tinha anexado parte da Polônia, Tchecoslováquia, Áustria, Romênia, Iugoslávia e Albânia, além de Noruega e Dinamarca. Do outro lado, a Rússia tinha anexado a outra parte da Polônia, Ucrânia, Lituânia, Letônia, Estônia e Finlândia. Permaneciam neutros: Turquia, Suíça, Suécia, Espanha e Portugal. Apenas a Grã-Bretanha e o que havia sobrado da França resistiam. O alvo seguinte de Hitler era o Mar Mediterrâneo: em abril de 1.941 o exército alemão invadiu a Grécia, tomando a cidade de Atenas, e em maio tomou a ilha de Creta. Forças alemães, com apoio das tropas italianas de seu aliado, Benito Mussolini, preparavam-se para tomar o Egito, e assim dominar ao geograficamente estratégico Canal de Suez.
Mas a amizade entre Hitler e Stalin era oportunista. Ambos sempre desconfiaram um do outro. Suas ambições territoriais colidiam. O pacto ruiu em 22 de junho de 1.941, quando Hitler decidiu iniciar uma invasão à União Soviética. Durante os primeiros meses seu exército não encontrou obstáculos e conseguiu avançar rápido. Mas acabou contido por fatores naturais, a partir da chegada do inverno.
O ano de 1.941 foi chave para os rumos da guerra dali até o seu final. Inspirado pelo poder nacionalista e bélico dos alemães, os japoneses decidiram repetir o seu modelo para dominar a Ásia e a Oceania. Aproveitando a oportunidade militar, o Japão, com suas aspirações expansionistas, aliou-se a Hitler para sufocar a Rússia, aspirando invadir a União Soviética pelo leste asiático. Em Tóquio, os líderes japoneses viram que a Rússia estava fragilizada e enxergaram aquela como uma formidável oportunidade de aniquilar a seu inimigo histórico. Ao mesmo tempo aspiraram uma expansão territorial pelo Oceano Pacífico, decisão que viria a ser crucial para o rumo da Segunda Guerra Mundial.
A invasão da Rússia, a chamada “Operação Barbarossa”, em junho de 1.941, foi o último ato de triunfo da Alemanha de Adolf Hitler. Além de que o ataque à União Soviética levou, obviamente, os russos a mudarem de lado, aumentando a quantidade de oponentes à Alemanha, a logística para alimentar as duas frentes de batalha começou a gerar efeitos pelas longas distâncias que eram necessárias serem percorridas para o reabastecimento de munições. Além da mudança de lado dos soviéticos, um outro marco em 1.941 marcaria um novo rumo para a guerra, a entrada dos Estados Unidos no conflito.
Na manhã de 8 de dezembro de 1.941, o Japão atacou à base naval dos Estados Unidos de Pearl Harbor, numa ilha remota do arquipélago do Havaí. Secretamente, 6 porta-aviões japoneses cruzaram o Oceano Pacífico e iniciaram um ataque que destruiu centenas de navios e aviões norte-americanos. A única frustração japonesa é que os 3 porta-aviões dos Estados Unidos estavam em alto-mar na manhã daquele ataque, não tendo sido destruídos, como planejado, pelos submarinos do Japão.
Em 25 de dezembro de 1.941, o Japão tomou Hong Kong, e em 1º de janeiro de 1.942 invadiu às Filipinas e tomou sua capital, Manila. Na sequência se apoderaram de metade da Península da Malásia. Em 15 de fevereiro, tomaram Singapura. Em março, tomaram a ilha de Java, conquistando as Índias Orientais Holandesas. Rapidamente se aproximaram da Nova Guiné, e bombardearam portos australianos. Foi aquela que ficou sendo chamada de Guerra do Pacífico - dentro do contexto da Segunda Guerra Mundial - tendo o Japão vencido batalhas contra os exércitos de Estados Unidos, Inglaterra, Holanda e Austrália. O próximo passo seria atacar à Índia? Os rumos dos conflitos no Oceano Pacífico, no entanto, mudaram quando os Estados Unidos conseguiram decodificar as mensagens secretas japoneses. Com esta estratégia, conseguiram afundar a todos os porta-aviões do Japão, enquanto tinham perdido apenas um porta-aviões, conseguindo assim diminuir as chances de uma vitória nipônica.
No início de 1942, Adolf Hitler definiu uma nova missão: exterminar aos judeus, não apenas na Alemanha, mas em todos os países que havia ocupado, naquela que batizou como "Solução Final", e que ficaria registrada na história como "Holocausto". Os judeus passaram a ser enviados em trens para campos de concentração, onde passaram por experimentos científicos e/ou foram friamente executados, assassinados a sangue frio. Sustentando-se em ideologias eugênicas e no chamado “Darwinismo Social”, a Alemanha Nazista executou quase 6 milhões dos 9 milhões de judeus que viviam na Europa, além de ter executado outras 4 a 5 milhões de pessoas, entre homossexuais, ciganos, pessoas com doenças mentais e más formações no corpo, e prisioneiros de guerra.
Naquele mesmo ano de 1.942, a Alemanha começou a provar de seu próprio veneno: primeiro quando a Grã-Bretanha lhe impôs pesados bombardeios que destruíram a cidade de Colônia (Koln), e depois com os Estados Unidos tendo castigado Berlim com bombardeios ainda maiores naquele mesmo ano. Estes bombardeios acabaram com a produção industrial alemã. Em paralelo, no fim do ano as tropas alemãs foram expulsas do norte da África, e no verão de 1.943 as tropas aliadas tomaram a ilha da Sicília, imediatamente iniciando uma incursão pelo território da Itália.
O golpe final foi dado em 6 de junho de 1.944, quando se deu o "Dia D", com a invasão da Normandia realizada pela maior expedição naval da história, envolvendo 7 mil embarcações e centenas de aviões, desembarcando num primeiro momento a 133 mil soldados e outros 23 mil paraquedistas na costa francesa. No total, nas semanas subsequentes, cerca de 800 mil soldados aliados partiram para reconquistar a França e a Bélgica. Paris foi retomada no fim de agosto e Bruxelas duas semanas depois, reconquistas que iniciaram a derrocada definitiva da Alemanha.
Na outra frente de guerra, castigadas pelo rigoroso inverno, as tropas alemãs começaram a sofrer subsequentes derrotas para as tropas russas. Iniciou-se uma corrida em direção a Berlim. Todos sabiam que a reconquista de territórios definiria o direito de controle após a guerra. Estados Unidos e União Soviética avançavam derrotando as tropas alemãs que encontravam pelo caminho. Ali se iniciava a bipolaridade hegemônica que ditaria as ordens no planeta pelas décadas seguintes. Sitiado por todos os lados, e com a União Soviética já em processo de invasão de Berlim, em 30 de abril de 1.945, Hitler teria cometido suicídio numa base alemã. Dois dias depois os russos consumaram a invasão a Berlim. Em 7 de maio, a Alemanha se rendeu incondicionalmente.
A Segunda Guerra Mundial estava concluída na Europa, mas ainda não se conhecia o vencedor nem no leste da Ásia nem nos litorais do Oceano Pacífico. Partes dos territórios invadidos tinham sido retomados pelos aliados, mas ainda não havia condições para uma incursão que invadisse e derrotasse de forma definitiva ao Japão. Foi então que uma arma secreta de destruição em massa entrou em ação pela primeira vez na história.
Os Estados Unidos estavam numa corrida para desenvolver tal arma através do chamado “Projeto Manhattan”, o qual juntou cientistas com relações próximas ao povo judeu que tinham migrado para a América, todos com a disposição de construir uma arma capaz de aniquilar à Alemanha Nazista de Adolf Hitler. O alvo, porém, acabou vindo a ser outro.
Em 1.939, o judeu-alemão Albert Einstein escreveu uma carta ao presidente dos Estados Unidos sobre o poder de destruição de uma bomba com reação nuclear em cadeia. Ali se iniciaram as pesquisas que levaram ao desenvolvimento da bomba, feitas pelo italiano Enrico Fermi, migrado para a América junto à esposa judia e seus dois filhos. O chefe da operação era o norte-americano filho de judeus Robert Oppenheimer, em cuja equipe estavam o judeu-húngaro Edward Teller e o judeu-austríaco Isidor Rabi, entre outros cientistas.
Somente em 2 de dezembro de 1.942 o reator nuclear ficou pronto, e o primeiro experimento foi programado. Mas foi somente em 1.945 que a bomba ficou completamente pronta e em condições de ser utilizada. Com a guerra vencida na Europa, e incertezas sobre os destinos dos campos de batalha no Pacífico, definiu-se por um lançamento sobre o Japão que fosse suficientemente impactante para acabar prontamente com a Segunda Guerra Mundial.
Para lançar a bomba, era necessário um avião bombardeiro pesado e de longo alcance. Foi escolhida a superfortaleza voadora B-29, capaz de voar 3 quilômetros até seu alvo e retornar à base (escolhida como sendo a ilha de Tinian, do arquipélago das Ilhas Marianas). Em 6 de agosto de 1.945, a primeira bomba foi transportada da Califórnia para lá de navio. O alvo foi escolhido num último instante: Hiroshima, a 8ª maior cidade japonesa. Às 8:15h da manhã no horário local, a bomba foi lançada, causando a maior explosão concebida até então pelo engenho humano na história mundial. A bomba, de imediato, instantaneamente, deixou quase 100 mil mortos e 70 mil feridos.
Ainda assim, os líderes japoneses não deram sinal de estar cogitando uma rendição. Três dias depois, em 9 de agosto de 1.945, uma nova bomba foi lançada, desta vez sobre a cidade de Nagasaki. Estima-se em mais de 50 mil os mortos nesta nova explosão. Entre as duas explosões, a União Soviética declarou guerra ao Japão, invadindo o território da Manchúria. Pela soma destes fatores, em 14 de agosto o Japão se rendeu incondicionalmente. A Segunda Guerra Mundial chegava ao fim, deixando um saldo de 80 milhões de mortos.
Juntando a todo o período de 1.914 a 1.945, as mortes bélicas causadas de forma direta pelos conflitos armados, e as mortes causadas por efeitos indiretamente derivados destes conflitos, como a pandemia de gripe e os ciclos de fome na União Soviética, foram bem mais de 150 milhões de seres humanos que morreram, na maior mortandade antropogênica já vista na Terra.
Politicamente, as duas grandes guerras estão diretamente correlacionadas. Restringindo a uma macrovisão das principais potências econômicas envolvidas: a primeira por uma união oportunista de Inglaterra e França que se juntaram à Rússia contra a Alemanha, e a segunda por uma união oportunista da Rússia à Alemanha que acabou se voltando contra Inglaterra e França, com as influências políticas globais a partir de então sendo regidas pelo lado vitorioso ao fim da Segunda Guerra Mundial, e sob a ameaça de uma nova arma capaz de um poder de destruição nunca antes visto através de ações de seres humanos.
O planeta passou a estar então ideologicamente fragmentado entre duas visões econômicas e sociais, uma sustentada em desigualdades decorrentes das diferenças de habilidades humanas, as bases do capitalismo, cujo líder político global eram os Estados Unidos da América, e outra sustentada em igualdades independentes às diferenças de habilidades humanas, as bases do socialismo-comunismo, cuja líder política global era a União Soviética. Ambas soluções que carregavam alguma forma de injustiça nas relações humanas coletivas.
Militarmente, o primeiro choque entre estas ideologias na disputa por poder no pós-guerra se deu com o desencadeamento da Guerra da Coréia. Aquela região havia sido governada pelo Japão de 1.910 a 1.945, num período expansionista deste iniciado justamente após a vitória militar obtida sobre a Rússia no início do Século XX. Ao fim da Segunda Guerra Mundial, a União Soviética invadiu e tomou o território da Coréia do Norte, e lá estabeleceu uma república comunista. Em 25 de junho de 1.950, a Coréia do Norte, com apoio militar da Rússia e da China, invadiu o território da Coréia do Sul, ato que oficialmente deu início ao contexto de conflito entre a capitalista Coréia do Sul e a comunista Coréia do Norte. O conflito se arrastou até julho de 1.953 e deixou mais de 900 mil mortos, sendo cerca de 750 mil do lado nortista. Sem que conseguisse uma resolução para o impasse, foi assinado um armistício que deu fim ao conflito e dividiu a Coréia em duas.
Assim, na Eurásia estava consumado um Bloco Comunista desde o Mar Adriático, na Europa, até o Oceano Pacífico, começando a partir da Alemanha Oriental, e reunindo Polônia, Tchecoslováquia, parte da Áustria, Hungria, Iugoslávia, Albânia, Bulgária, Romênia, União Soviética, China e Coréia do Norte. Na Europa, o Bloco Capitalista reunia Alemanha Ocidental, Itália, França, Grã-Bretanha, Espanha, Portugal, Bélgica, Holanda e os Países Nórdicos a oeste, e Grécia e Turquia a leste, enquanto no outro extremo da Eurásia, este era o modelo ideológico em Japão e Coréia do Sul. Um reordenamento regido por diversos conflitos militares.
Em meio a este jogo de tabuleiro global que ficou conhecido como "Guerra Fria", o comunismo fincou importante bandeira na América Central. Cuba era uma ilha que abrigava 7 milhões de habitantes. Uma revolução em 1.933 fez emergir a liderança militar de Fulgêncio Batista, que veio a ser eleito presidente. Em 1.959 foi outro líder quem o derrubou: Fidel Castro, um estudante de colégio jesuíta na juventude e formado como advogado, que tinha vivido refugiado no México. Em 1º de janeiro de 1.959, com apoio de armamentos dos Estados Unidos, ele invadiu a ilha pela mata densa e conseguiu dar um golpe de estado que acabou com o regime ditatorial comandado por Batista. Consumada a tomada de poder, sua primeira decisão foi confiscar as grandes propriedades e nacionalizar os bancos e os grandes engenhos de açúcar, para a surpresa dos norte-americanos que o tinham apoiado e financiado. A ideologia comunista conseguia a sua primeira grande vitória nas Américas.
Como contra-ataque, os Estados Unidos deram treinamento militar e armamentos a cerca de 1.500 exilados cubanos, que em abril de 1.961 tentaram uma desastrosa invasão a Cuba - a Invasão da Baía dos Porcos (Bahia de los Cochinos) - que fracassou. Como vingança, Fidel Castro abriu seu território para a instalação de uma base militar da União Soviética, a partir da qual os russos poderiam atacar o território norte-americano. Em 10 de outubro de 1.962, um avião de espionagem dos Estados Unidos identificou a presença de 10 mísseis soviéticos em Cuba, todos com capacidade para alcançar Washington. Era impossível saber se eles carregavam ogivas nucleares ou não.
Esta "Crise dos Mísseis" levou o mundo a temer a possibilidade de início de uma Terceira Guerra Mundial, uma guerra nuclear com potencial para efetivamente destruir a toda a civilização humana no planeta. Em 23 de outubro de 1.962, 20 navios soviéticos foram vistos se aproximando do bloqueio naval norte-americano protegidos por um submarino. Uma das embarcações certamente levava ogivas nucleares. Em paralelo, a Europa se preparou para defender um eventual ataque a Berlim Ocidental. Uma nova guerra parecia iminente. Após dias de grande tensão, em 26 de outubro os norte-americanos sinalizaram com o fim do bloqueio naval ao território cubano e deram garantias de que não invadiriam a ilha, e os soviéticos dois dias depois aceitaram os termos, com suas embarcações recuando e se afastando de Cuba.
O jogo de tabuleiro ideológico na América Latina só cresceu desde então, com um aumento da quantidade de simpatizantes ao comunismo e à União Soviética. Como resposta, os Estados Unidos deram incentivos - através da batizada como "Operação Condor" - para a instauração de Ditaduras Militares nos países da região para garantir os direitos das propriedades privadas que sustentavam o modelo capitalista nestes países. Houve golpes de estado em 1.964 no Brasil e na Bolívia, em 1.966 na Argentina, em 1.968 no Peru, em 1.973 no Chile e no Uruguai, e um novo golpe na Argentina em 1.976. Já o Paraguai vivia sob um regime de ditadura militar desde 1.954. Foi um período de combates militarizados de enfrentamento à entrada do comunismo na América do Sul, onde ao fim prevaleceu o modelo capitalista.
Um ano após a "Crise dos Misseis", um acontecimento em Dallas, no estado do Texas, nos Estados Unidos, voltaria a gerar tensões políticas globais e o receio de um novo conflito bélico de grandes proporções. Em 22 de novembro de 1.963, o presidente norte-americano John Kennedy foi assassinado com um tiro na cabeça enquanto desfilava em carro aberto. O assassino detido, o norte-americano Lee Oswald, havia vivido na Rússia e no México. Tanto União Soviética quanto Cuba prontamente negaram qualquer vínculo ao assassinato. Nunca se decifrou quem esteve por trás do ato, e a situação foi contornada.
O capítulo seguinte da "Guerra Fria" entre norte-americanos e soviéticos se desenrolou novamente no extremo oriente da Ásia. A Guerra do Vietnã teve semelhanças à da Coréia, uma vez que ambas nasceram de uma divisão do país entre um norte comunista e um sul capitalista. Os conflitos se iniciaram em 1.955, mas tomaram uma maior dimensão a partir de 1.963, quando os Estados Unidos enviaram tropas para lutar ao lado do exército do Vietnã do Sul. União Soviética e China não enviaram soldados, mas forneceram armas e munições.
A superioridade da força aérea norte-americana era enorme, mas só servia para destruir os sistemas logísticos do adversário, não servindo para os conflitos aos moldes de guerrilha que foram travados nas densas florestas tropicais. O país tecnologicamente e militarmente mais avançado do mundo naquele momento não podia usar as suas armas de maior destruição, tendo que levar seus soldados a se embrenhar em uma guerrilha na selva. A guerra inicialmente parecia fácil de ser vencida, mas se tornou paulatinamente perdida. Em 1.973, os Estados Unidos assinaram um cessar-fogo, deram-se por vencidos, e se retiraram do Vietnã. Assim, o seu fim foi diferente ao das Coréias, que tinham terminado segregadas em duas. Com a retirada norte-americana, o Vietnã do Sul foi tomado e incorporado pelo Vietnã do Norte, formando um único país. A Guerra do Vietnã deixou um total de aproximadamente 3 milhões de mortos, sendo 1,3 milhão deles militares e 1,7 milhão de civis. Os Estados Unidos perderam 58 mil militares mortos. Ainda que bastante comemorada, aquela foi a última vitória comunista na Guerra Fria.
Na África também houve conflitos neste mesmo contexto, mas sem uma vitória de um lado ou de outro. Em 1.975 uma revolução comunista rompeu em Angola, só então libertando o país das amarras coloniais de Portugal. O principal apoiador do movimento em termos de envio de soldados foi Cuba, na revolução que representou o primeiro marco significativo de presença do comunismo na África. Desde então o país viveu uma intensa guerra civil, com envolvimento direto de tropas estrangeiras até 1.988. Entre períodos de acirramentos e de pacificações, a guerra civil no país durou de 1.975 até 2.002. Não há estatísticas sobre quantas pessoas morreram neste conflito, mas 4 milhões de pessoas foram forçadas a abandonar suas residências para fugir das batalhas.
O último capítulo militar envolvendo diretamente às duas potências que lideravam a Guerra Fria se deu em 1.979, a Guerra do Afeganistão, iniciada quando a União Soviética invadiu o país com o qual tinha fronteira para destituir ao regime afegão que dominava o poder. Em situação inversa ao que havia ocorrido no Vietnã, desta vez foram os Estados Unidos quem enviaram armas e munições, mas não soldados. E mais uma vez espelhando o Vietnã, a imensa superioridade militar de um lado perdeu sua vantagem na luta de guerrilha na qual se desenhou o combate. Se os Estados Unidos tinham sofrido com tal estratégia nas selvas do Vietnã, a União Soviética viveu a mesma situação nas montanhas do Afeganistão. A guerra se arrastou de dezembro de 1.979 até fevereiro de 1.989, deixando 2 milhões de mortos. A União Soviética perdeu 14,5 mil soldados mortos (bem menos do que os 58 mil que os Estados Unidos perderam na Guerra do Vietnã). Sem obter sucesso, e sob um custo pesado, a partir de janeiro de 1.987 os soviéticos se deram por vencidos e iniciaram um processo de retirada de suas tropas da região.
Esta situação no Afeganistão carregava um contexto a mais, que era o fanatismo religioso disposto a ir às armas para sustentar as suas crenças frente a nações estrangeiras. Depois da Segunda Guerra Mundial cresceram os conflitos religiosos, em especial no Oriente Médio e seu entorno. Tais divergências partiram e derivaram de um acontecimento em especial: em novembro de 1.947, a Organização das Nações Unidas tentou reparar o sofrimento do povo judeu com o Holocausto imposto por Adolf Hitler, e aprovou a criação de um estado judeu no território da Palestina - estado de supremacia árabe-muçulmana - o qual estava sob ocupação da Inglaterra desde 1.920.
Em 14 de maio de 1.948 foi fundado o estado de Israel. Já no dia seguinte se iniciaram os conflitos, quando Egito, Síria, Jordânia, Líbano e Iraque, apoiados por Arábia Saudita e Iêmen, invadiram o recém declarado território israelense, iniciando a Guerra Árabe-Israelense de 1948, que deixou cerca de 20 mil mortos. O conflito foi vencido por Israel, mas a paz nunca se instaurou em definitivo.
Em maio de 1.967 a tensão no Oriente Médio voltou a se acirrar. O então presidente do Egito, Gamal Abdel Nasser, restringiu a circulação de navios de carga israelenses pelo Mar Vermelho sob a alegação: "o objetivo fundamental é destruir Israel". Em 5 de junho de 1.967, a força aérea israelense impôs um bombardeio em áreas militares que destruiu a maior parte da força aérea egípcia. Nasser pediu intervenção da União Soviética, mas os russos fizeram um acordo com os Estados Unidos de que nenhuma das duas superpotências iria intervir no conflito. O acordo foi respeitado. A Guerra dos Seis Dias durou de 5 e 10 de junho, com uma vitória esmagadora de Israel que triplicou o seu território. O conflito deixou 16 mil mortos, 15 mil dos quais no lado das forças armadas árabes.
Mais uma vez uma resolução instaurada que não era definitiva: em 1.972, durante a realização dos Jogos Olímpicos de Munique, na Alemanha, no dia 5 de setembro o grupo terrorista palestino denominado "Setembro Negro" invadiu a Vila Olímpica, onde ficavam hospedados os atletas de todo o mundo, e fez reféns a 11 integrantes da equipe olímpica de Israel. Uma mal coordenada operação para tentar dar fim ao sequestro terminou com 17 mortos (os 11 reféns israelenses, 5 dos 8 terroristas palestinos, e 1 policial alemão perderam a vida). Em decorrência indireta, em 1.973 o Oriente Médio voltou a entrar em conflito, eclodindo a Guerra do Yom Kippur, quando Egito e Síria cruzaram, respectivamente, as fronteiras no Sinai e nas colinas do Golã, territórios que haviam sido capturados por Israel em 1.967 durante a Guerra dos Seis Dias. Após duas semanas de batalhas vencidas por egípcios e sírios, os israelenses conseguiram impor suas primeiras vitórias e a partir de então obtiveram uma sequência delas durante uma semana, as quais levaram o exército israelense a invadir os respectivos territórios de seus invasores até as proximidades de suas capitais (Cairo e Damasco) forçando um acordo de cessar-fogo. A guerra durou três semanas e levou a mais de 10 mil mortes, sendo 2,5 mil delas do lado vencedor, o israelense.
Durante os Anos 1.970 também passou a existir uma marca de levante nos países islâmicos contra os hábitos ocidentais. A cultura emanada sobretudo dos Estados Unidos, mas também da Europa Ocidental, era rejeitada pelos muçulmanos mais radicais, avessos ao consumismo mercantilista, à propaganda ao consumo de bebidas alcóolicas e drogas alucinógenas, à tolerância com aventuras sexuais descompromissadas e à rebeldia da juventude, todos hábitos que eles consideravam de moral frouxa, propagados pela televisão e pelo cinema.
Os países de religião islâmica não aceitavam a liberdade do Ocidente, sobretudo a tolerância ao papel das mulheres e de homossexuais na sociedade. O maior marco de levante contra tal cultura foi a Revolução Iraniana consumada em 1.979, com a imposição generalizada de condenação à pena de morte a todos aqueles que adotassem costumes contrários à religião islâmica. Em decorrência desta revolução, entre 1.980 e 1.988, o Oriente Médio vivenciou a Guerra Irã-Iraque, um conflito que deixou 1,5 milhão de mortos.
O conflito foi iniciado quando o líder militar iraquiano Saddam Hussein invadiu o território iraniano com aspirações territorialistas de expansionismo, buscando se aproveitar da crise sócio-política vivida pelo país vizinho. Curiosamente - dentro do contexto da Guerra Fria - tanto Estados Unidos quanto União Soviética forneceram armas ao Iraque, pelo desconforto perante o radicalismo religioso imposto por aquela Revolução Iraniana que a partir de 1.978 transformou o Irã de uma monarquia autocrática numa República Islâmica Teocrática, sob o comando do aiatolá Ruhollah Khomeini (aiatolá, cujo significado é "sinal de Deus").
A Guerra Irã-Iraque foi uma das cinco guerras mais mortais da história até então, conflitando as duas principais potências militares sunitas e xiitas, uma dissidência teocrático-filosófica que retomava aos tempos da sucessão de Maomé. A cisão entre seus seguidores se deu após a morte de Maomé, em 632 d.C., sem que houvesse a designação de quem seria o seu herdeiro. A luta pela sucessão opôs os xiitas (partidários de seu genro Ali) e os sunitas (apoiadores de seu melhor amigo, Abou Bakr). Esta última corrente se impôs, defendendo a bandeira dos valores tradicionais das tribos árabes, com Abou Bakr sendo nomeado "califa". Só que ele morre dois anos depois, sendo sucedido primeiro por Omar e depois por Otham, que acaba assassinado em 656 pelos xiitas, que elevam Ali ao poder, o qual também acaba vindo a ser assassinado em 661. Desde então o conflito ideológico entre as duas correntes se arrastou por milênios.
Os países de maioria muçulmana formavam um eixo territorial desde o Oceano Atlântico até a Ásia Central, com presenças estendidas pelo Oceano Índico. Todos os países do norte da África eram de maioria muçulmana, sendo eles, de oeste para o leste: Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia, Sudão e Egito, e com a presença também da Somália na ponta leste do continente, mais próxima ao Oriente Médio. Em toda esta extensão de terras, a única exceção era o estado de Israel. Na fronteira com a Europa, a Turquia também era de maioria islâmica. Do outro lado do Oriente Médio, o islamismo era maioria em Afeganistão, Paquistão e nas ex-colônias soviéticas de Cazaquistão, Uzbequistão, Turcomenistão, Tadjiquistão e Quirguistão. Cruzando a Índia, onde a maioria religiosa era hindu, do lado oposto do país a maioria era islâmica em Bangladesh, assim como era nos arquipélagos do Oceano Índico (entre a Ásia e a Oceania) que formavam a Indonésia.
Em 2 de agosto de 1.990, pouco tempo depois da vitória sobre o Irã financiada pelos Estados Unidos, Saddam Husseim, líder do Iraque, levou seu país a invadir ao vizinho Kuwait. Muito de seu otimismo se sustentava num apoio dos países árabes, ou ao menos de uma neutralidade destes. Ele acreditava que por isso os Estados Unidos não interfeririam, talvez por acreditar que pudesse haver uma possível retaliação da Rússia. O Iraque reuniu 300 mil soldados na invasão, enquanto os Estados Unidos mobilizaram 500 mil de seus soldados na Arábia Saudita. Cinco meses após a invasão ao Kuwait, o Congresso dos Estados Unidos aprovou um ataque ao Iraque, a chamada Guerra do Golfo. Foram apenas seis semanas de combate, com um bombardeio massivo, que ficou conhecido como "Operação Tempestade no Deserto". Em 28 de fevereiro de 1.991, o Iraque estava derrotado e a guerra encerrada. Mais um caso na história humana no qual sonhos com grandes triunfos levaram à cegueira de decisões estratégicas equivocadas.
Foram pouquíssimos os conflitos depois da Segunda Guerra Mundial que fugiram disto, ou de um contexto ideológico político em torno da bipolaridade entre capitalismo e socialismo-comunismo, ou de um conflito religioso. A exceção aconteceu em 1.982 nas Ilhas Falkland (para os argentinos: Ilhas Malvinas), alvo de uma guerra de grandes expectativas. A posse da pequena ilha montanhosa no sul do Oceano Atlântico, então habitada por menos de 2 mil pessoas e defendida por poucos fuzileiros da Marinha Real Inglesa, era reivindicada pela Argentina. Qualquer ajuda da Grã-Bretanha, situada a 13 mil quilômetros de distância demoraria a chegar.
Em 2 de abril de 1.982, soldados argentinos invadiram as ilhas durante a madrugada, tomando-a sem encontrar muita resistência. Num intervalo de poucas semanas partiu da Inglaterra uma frota com dois navios porta-aviões, navios destroieres e de suprimentos, submarinos nucleares e dois navios transatlânticos de passageiros adaptados para transportar tropas. Após sete semanas de traslado esta frota chegou às Ilhas Falkland, e em menos de quatro semanas o conflito chegou ao fim, com 10 mil soldados argentinos se tornando prisioneiros. Mais um caso: o excesso de confiança da Argentina levou-a a levantar estimativas equivocadas e a decisões erradas, falhando na estratégia.
Toda esta história de guerras mostra uma lição que é preciso que seja aprendida para que você saiba lidar com o instinto de competição dos seres humanos: as nações que entravam em guerra confiantes costumavam esperar uma vitória rápida, enquanto as nações que só entravam em guerra depois de muita relutância, mais interessadas em evitar a derrota do que em arrebatar a vitória, sempre pareceram mais conscientes de que poderiam estar embarcando em uma longa luta. Um dos grandes segredos para se saber lidar com conflitos na vida, independentemente do tamanho que estes tenham, é saber escolher quais brigas lutar e quais evitar.