terça-feira, 18 de novembro de 2025

Nossas habilidades diretamente relacionadas à capacidade de viabilizar o convívio coletivo em grandes aglomerações humanas

Ao contrário das outras colônias do continente, nas colônias inglesas e francesas da América do Norte não havia nem ouro nem prata, tampouco solos de abundante fertilidade, e isto fez com que as metrópoles não se importassem da mesma forma com os destinos das colônias ali nascentes, pois as riquezas ali geradas eram relativamente pequenas. O processo de independência destas regiões não foi vinculado à Revolução Francesa, mas às próprias novas liberdades econômicas impostas pela Revolução Gloriosa na Inglaterra, que vieram a ser, indiretamente, consequências de seus movimentos. Neste contexto, foi em 1.776 que aconteceu a Independência dos Estados Unidos, com George Washington liderando a revolta bélica contra os colonizadores britânicos.

Houve um encadeamento histórico nos fatos de afloramento de tudo isto. Na Revolução Gloriosa emanaram conceitos diferenciados de relação entre a sociedade civil e o governo que levaram tanto às inovações econômicas que culminaram com a Revolução Industrial, quanto com os movimentos de liberdade que levaram à Independência dos Estados Unidos na América e à Revolução Francesa no continente europeu. Estes movimentos acabaram por provocar uma segunda onda de liberalizações, com os processos de Independências na América Latina já citados, e o fim da Escravidão que levava seres humanos da África para o trabalho forçado nas Américas.

Em meio a este turbilhão de acontecimentos, foi a Revolução Francesa aquela que pela primeira vez na história humana ofereceu um sistema legal uniforme, em consonância ao lema revolucionário de igualdade e liberdade, tendo uma lei voltada para todo e qualquer cidadão de forma igualitária. O terceiro conceito base daquela revolução, o de fraternidade, foi introduzido bem depois, em 1.848, com a instauração da Segunda República, e teria uma proposição mais religiosa do que política de conciliação e harmonia.

A Primeira República na França não teve nada de fraterna, mas, no fim, foram estes três pilares, combinados, aqueles que vieram a servir de base para a construção da democracia moderna. Um processo que resgatou alguns pensamentos da Grécia Antiga, e adaptou-os a um mundo que estava iniciando um processo de pleno crescimento demográfico. Nascia uma nova ordem e com novos valores: deu-se fim a privilégios de nepotismo e clientelismo, através da construção de um instrumento jurídico no qual prevaleceu a meritocracia no acesso a cargos públicos, com a soberania não sendo provida mais por um monarca, mas pelo próprio povo. Também fez emergir nas sociedades humanas a partir de então o direito à liberdade, a qual não significa poder fazer tudo o que se quer, mas ter o direito de fazer tudo aquilo que a lei permite! Dentro da essência deste próprio conceito: se as pessoas pudessem fazer o que fosse proibido pela lei, não haveria mais liberdade para todos.

A Revolução Francesa proporcionou duas rupturas marcantes na estrutura do Ocidente pelos séculos seguintes: a ascensão da burguesia como elite dominante em sobreposição ao poder das monarquias absolutistas sustentadas por títulos de nobreza, e a abertura social que começou a dar voz às classes trabalhadoras e proletárias como agentes participativos, combinando sobretudo valores de liberdade e direito de expressão.

Tanto na Inglaterra quanto na França, as aberturas a um maior pluralismo ainda não tinham gerado uma democracia de fato. O processo de ampliação de direitos foi lento, gradual e paulatino. A maioria dos homens adultos não tinha acesso ao voto, e nenhuma mulher o tinha. Na Grã-Bretanha, as reformas de 1.832 foram modestas, limitando-se a duplicar o direito de voto de aproximadamente 8% para cerca de 16% da população de homens adultos (de cerca de 2% para 4% da população total). Somente a Segunda Lei da Reforma, de 1.867, finalmente alçou a classe trabalhadora à condição de maioria em todas as zonas eleitorais urbanas. O eleitorado novamente voltaria a dobrar de tamanho com a Terceira Lei da Reforma, de 1.884, quando o direito de voto chegou a 60% dos homens adultos. Após a Primeira Guerra Mundial, a Lei de Representação Popular, de 1.918, estendeu o direito de voto a todos os homens acima de 21 anos e a toda mulher acima de 30 que fosse casada com um deles. E logo após, em 1.928, as mulheres receberiam os mesmos direitos de voto que os homens detinham.

Esta transformação gradual na Inglaterra evitou uma derrubada violenta do sistema como as ocorridas na França e na Rússia, onde o custo de precisar reconstruir algo inteiramente novo no lugar do que foi removido e destruído, em ambos os casos, teve consequências pesadas através de um alto número de vítimas mortas - ou pela violência ou pela fome - decorrentes das crises instauradas nestes países a partir de tais movimentos.

Uma explosão de transformações sociais passou a eclodir pelo mundo a partir de então - e não só no Ocidente – sustentada sobre uma nova base de alicerces para a coesão social da coletividade: o Estado não pode garantir a felicidade de ninguém, pois ela não é uma dádiva, mas é uma conquista decorrente de um esforço contínuo, logo a razão de ser do Estado passa para a promoção das bases para que cada indivíduo possa atingir a sua prosperidade, e a partir dela encontrar a sua felicidade.

As bases destes novos conceitos de liberdades individuais foram perfeitamente resumidas em relação ao que se é esperado em uma democracia na Constituição dos Estados Unidos da América após a sua independência da Inglaterra. Ela expressa que: “o governo é do povo, pelo povo e para o povo”. "Governo é do povo" expressa a ideia de que o governo é de todos, sem exclusões. "Governo pelo povo" reflete que os cidadãos são os governantes indiretos, uma vez que escolhem os seus representantes. "Governo para o povo" visa garantir o conceito de que o objetivo final é o benefício coletivo geral.

Em meio a tais transformações sociais, a dinâmica de inovações acelerou mais e mais ao processo de integração humana, assim como gerou tradicionais e consequentes escalonamentos de conflito, afinal tal processo ampliou cada vez mais a capacidade de aumento das concentrações humanas em grandes centros urbanos, o isto fazia crescer a competição e a disputa por recursos, tema ao qual logo regressaremos para dar um maior enfoque.

Na esteira de tais transformações, o Século XIX foi marcado por uma série de novidades inventivas que davam ainda mais dinamismo à aceleração deste crescimento econômico e demográfico semeado desde o rompante de ideias do Iluminismo. Em 1.825 um primeiro trem a vapor faz a viagem de Stockton a Darlington, cidades da Inglaterra. Em 1.843 foi inaugurada a comunicação por telégrafo, com fios de ferro contínuos paralelos às ferrovias, os quais transmitiam pulsos elétricos impulsionados por baterias que eram transformados em mensagens codificadas. Em 1.850 uma linha telegráfica cruzou o Canal da Mancha e ligou as comunicações da França e da Inglaterra. Pouco depois, em 1.866, uma linha telegráfica cruzou o Oceano Atlântico e ligou as comunicações dos Estados Unidos e da Inglaterra. O ritmo de novas inovações era aceleradíssimo e contínuo! Em 1.876 é inventado o telefone nos Estados Unidos, mesmo ano no qual o alemão Robert Koch descobriu que uma bactéria era a causa do carbúnculo, doença que afetava o gado bovino, ampliando fortemente a capacidade de resolução de doenças. A partir de então, as inovações da pesquisa científica não pararam de revolucionar tanto a medicina quanto a veterinária (o que aumentava a capacidade humana de produzir ainda mais alimentos). Em 1.882, o mesmo Robert Koch descobriu que uma bactéria era a causadora da tuberculose, e em 1.883 descobriu que a cólera também era uma doença bacteriana. Em 1.897, o italiano Guglielmo Marconi descobriu um meio de enviar mensagens por ondas eletromagnéticas, e quatro anos depois, em 1.901, pela primeira vez uma mensagem de rádio cruzou o Oceano Atlântico. A evolução do conhecimento aflorava em diferentes vertentes, e não só através de inovações tecnológicas. Foi em meio a este século, em 1.859, que Charles Darwin publicou o livro "A Origem das Espécies" e apresentou ao mundo a Teoria da Evolução Natural.

Foi uma era de profundas transformações que subsequentemente impactavam a toda a dinâmica social. A invenção do cinema, por exemplo, representou uma grande ruptura para a sociedade da época! O único instrumento existente até então para testemunhar imagens em movimento era uma tecnologia natural milenar: o olho humano. Não existia um referencial que permitisse mimetizar a realidade em movimento e depois reproduzi-la. Foi em 1.895 que os irmãos Lumiere conseguiram dar forma para aquilo que foi o precursor do cinema. Para apresentar ao grande público a sua invenção, eles promoveram uma sessão na pequena cidade de La Ciotat, no sudoeste da França. Apresentaram uma cena de cerca de sessenta segundos retratando um momento frugal rotineiro e onipresente da cidade, a chegada de um trem à estação. Muitos dos presentes não puderam testemunhar toda a reprodução, pois impactados pela imagem em movimento, com medo da chegada do trem movendo-se em direção a eles, levantaram-se e saíram correndo da sala de reprodução, fugindo com medo de poderem ser atropelados. Outros acenaram para a tela, para saudar aos passageiros. Até então, nenhum ser humano tinha vivenciado a experiência de uma reprodução artificial do mundo em movimento! Foi impactante!

O epicentro em meio a todas estas grandes transformações estava na Europa, mas a escala tinha proporções globais das quais nem as terras mais distantes dali escapavam. Em 14 de outubro de 1.867, Okubo Toshimichi um dos principais cortesões do domínio de Satsuma, no Japão feudal, chegou desde a capital japonesa (então chamada Edo, e posteriormente renomeada como Tóquio) até Yamaguchi, onde se reuniu com os líderes do domínio Choshu, com o objetivo de juntar forças para derrubar o xogum, governante supremo do país. Toshimichi já tinha o apoio dos domínios Tosa e Aki para executar seu plano. A união destes quatro domínios foi chamada de Aliança Satcho. A família Tokugawa, uma classe de senhores feudais que administrava e tributava seus domínios, controlava o país desde 1.600, e junto a seus vassalos militares, os temidos samurais, dirigiam uma sociedade muito similar à da Europa medieval, com categorias ocupacionais rígidas e elevada carga tributária sobre os agricultores.

A Aliança Satcho desejava derrubar o xogunato feudal, acabar com os monopólios de comércio com o exterior, e transformar o Japão em um estado moderno. O xogum Yoshinobu acabou renunciando, e em 3 de janeiro de 1.868 foi declarada a Restauração Meiji. Ainda assim se seguiu uma guerra civil, que se estendeu por meses até que os Tokugawa fossem completamente derrotados. Em 1.869 o feudalismo foi definitivamente abolido no Japão, com a tributação centralizada num novo estado democrático, e a classe dos samurais tendo sido extinta. Em 1.890, o Japão foi o primeiro país da Ásia a adotar uma Constituição escrita e a estabelecer uma monarquia constitucional, com Parlamento eleito por voto direto e um Poder Judiciário independente.

Normalmente, as revoluções costumam acontecer violentamente, não costumando ser um movimento gradual, mas um rompante. Costumam ser abalos na ordem vigente, cujo destino é surpreendente, sem que se consiga prever a seu desfecho. As intensas transformações sociais impostas por toda esta nova dinâmica de expansão humana tensionaram as relações políticas e forçaram reordenamentos. Voltaremos ao tema mais adiante, mas como fatos históricos derivados de toda esta movimentação, cabe citar já aqui os acontecimentos de 1.848, quando a Europa viveu a "Primavera dos Povos", um levante em vários países contra governantes autoritários, inspirado no Manifesto Comunista publicado pelos filósofos alemães Karl Marx e Friedrich Engels. Décadas depois, decorreria disto a Revolução Marxista Russa, que optou por uma ruptura e não por um alinhamento com as camadas burguesas, buscando exclusivamente dar poder às classes trabalhadoras e proletárias. Como resultado, manteve uma estrutura de poder sustentada num autoritarismo absolutistas de restrição às liberdades individuais e tomada de decisão de modelo ditatorial, já que era preciso tentar manter a todos economicamente iguais. Estes movimentos de ruptura tiveram como principais efeitos uma reacomodação da ordem. Sem tais movimentos, os trabalhadores remunerados de menor nível de renda jamais teriam conseguido conquistar direitos civis como os que vieram a conquistar.

É importante este parêntesis aqui, porque é preciso ter consciência de que quando falamos de habilidades humanas, estamos fazendo referência a um conjunto de características cuja dimensão é muito mais profunda do que a de habilidades meramente técnicas. Referem-se à capacidade de se articular socialmente, de construir negociações e fechar acordos, de se expressar e comunicar corretamente, fazendo-se entender, e tendo a capacidade de escutar, compreender e se colocar no lugar de qualquer interlocutor, construindo laços, dando-se suporte mutuamente, desenvolvendo respeito mútuo e tendo responsabilidade sobre suas ações. São habilidades diretamente relacionadas à capacidade de viabilizar o convívio coletivo em grandes aglomerações humanas, o que envolve estabilizar vetores que se movimentam em múltiplas e diferentes direções.

Todas estas esferas foram forçadas e evoluir juntas à medida que a esteira de grandes transformações se movia firmemente adiante. Os conhecimentos continuavam progredindo. O homem entendia cada vez melhor a si - individual e coletivamente - e a seu planeta. Foi somente em 1.912 que Alfred Wegener elaborou a "Teoria da Movimentação dos Continentes", inicialmente tratada como absurda e só aceita 50 anos depois, já após a sua morte, quando só então, enfim, a humanidade entendeu o mecanismo de movimentações de placas tectônicas, para dominar a compreensão da razão pela qual aconteciam os terremotos. A grandiosidade da capacidade humana de realizar grandes construções também ganhava ritmos cada vez maiores: em 1.914 foi concluída a obra do Canal do Panamá, abrindo por terra, no meio do continente, uma ligação marítima entre os Oceanos Atlântico e Pacífico.

As mudanças também aconteciam de forma cada vez mais intensa nas relações sociais: em 1.924, Nina Bang, na Dinamarca, foi a primeira mulher no mundo a ser eleita como Primeira-Ministra de uma nação. Mulheres no poder não era algo comum. Pelo menos desde a Revolução Agrícola, a ampla maioria das sociedades humanas tinham sido patriarcais, porque diante de quadros de conflitos constantes, a maior força física e óssea do corpo do homem se impunha como dominante em prover proteção diante de barbáries. Desde os seus primórdios, a humanidade organizava suas sociedades entre aqueles com força física que zelavam pela segurança coletiva, em especial a daqueles que, em contrapartida, proviam bem-estar social ao convívio do grupo. À medida que a segurança do grupo foi deixando de depender da força física, a sociedade humana sofreu decorrentes transformações.

A ideologia de igualdade de gênero é um produto que só passou a ser socialmente possível a partir de uma certa pacificação do mundo e da redução das realidades de guerras e conflitos, pois foi em tempos de guerras constantes que o controle dos homens os havia transformado nos senhores da sociedade civil. Só à medida que o processo civilizatório foi evoluindo e amadurecendo, com as relações sociais intensificando as suas rotas de pacificação, ainda que a guerra jamais tenha sido eliminada, que esta realidade pode ser mudada, para que novas ordens sociais não patriarcais fossem escritas.

Nenhuma transformação na história humana, no entanto, foi comparável à proporcionada pelas evoluções na tecnologia, com os maiores avanços tendo ocorrido no campo científico. O ser humano havia domado a natureza e a realidade física na qual estava imerso. Em 1.924 foi inaugurada a primeira estação de rádio, em Pittsburgh, nos Estados Unidos, e já em 1.926 o escocês John Logie Baird transmitiu as primeiras imagens de televisão, em Londres, na Inglaterra. A capacidade de comunicação humana dali em diante nunca mais seria a mesma. Foi todo um processo de avanço científico que acabou por levar à "Corrida Espacial", com as habilidades humanas conseguindo o que seria inimaginável para seus ancestrais, sair dos limites do planeta Terra. Em 1.957, a União Soviética colocou uma nave não tripulada na órbita do planeta, e logo depois, em 12 de abril de 1.961, foi a vez do russo Yuri Gagarin ter sido o primeiro astronauta a ser colocado em órbita. Mas em 20 de julho de 1.969 foram os Estados Unidos quem fizeram de Neil Armstrong o primeiro homem a colocar os pés na Lua. Todos, avanços obtidos num intervalo de tempo muito pequeno! É só pensar que algumas poucas décadas antes de tais feitos, nenhum ser humano teria pensado ser possível fazer sequer um avião que pesava toneladas sair do chão e voar, muito menos atravessando oceanos, ou logo dando voltas completas no globo terrestre, e menos ainda que tais aeronaves fossem ser capazes de levar centenas de passageiros humanos nestas viagens. Era um admirável mundo novo!

Entretanto, dentro das evoluções das tecnologias, o campo no qual as habilidades humanas obtiveram, inquestionavelmente, maiores avanços no Século XX e um maior impacto para a cadeia evolutiva dos Homo sapiens, foi na área de ciências médicas, quando enfim a humanidade conseguiu passar a ter algum controle sobre as "doenças de multidão", aquelas que, milênios antes, tinham surgido a partir da formação de densas populações humanas.

Tais doenças tinham começado com o surgimento da agricultura, a qual sustentava populações humanas muito mais densas do que o estilo caçador-coletor que prevalecia inicialmente no comportamento de subsistência humano. Tais processos infecciosos se desenvolveram a partir das doenças de rebanho dos animais domesticados, e têm em comum que são transmitidas rápida e eficazmente de pessoas contaminadas para as saudáveis próximas a elas, tendo como característica serem doenças agudas, isto é: num curto espaço de tempo ou o hospedeiro morre ou se recupera logo. Aqueles que se recuperam ganham imunidade ou têm maior resistência a outra contaminação.

Quantitativamente, a grande pandemia da história da humanidade foi a gripe espanhola, que matou 21 milhões de pessoas no fim da Primeira Guerra Mundial. Já a Peste Negra, séculos antes, matou 1/4 da população da Europa entre 1.346 e 1.352, com o número de mortos chegando a 70% em algumas cidades. Proporcionalmente, entretanto, a chegada de europeus e suas "doenças de rebanho" durante seu espalhamento pelo planeta ao longo do período de encurtamento das distâncias através de grandes navegações transoceânicas causaram efeitos mortais muito maiores.

Pegando dois pequenos casos isolados e bem catalogados: em 1.837, a tribo dos Mandans, das grandes planícies dos Estados Unidos, contraiu varíola dos tripulantes de um barco a vapor que viajava pelo Rio Mississipi, em poucas semanas a população da aldeia despencou de 2 mil para apenas 40 habitantes; outro caso se deu em 1.902, quando uma epidemia de desinteria levada por um marinheiro do baleeiro Active matou 51 dos 56 esquimós que viviam na ilha Southampton, na região ártica do Canadá, uma área extremamente remota. São dois exemplos isolados de como as epidemias dizimaram populações nativas das Américas após a chegada dos europeus ao continente, a partir de 1.492, com a mesma tendo causado posteriormente o mesmo efeito genocida em ilhas da Oceania.

Pode parecer muito tempo entre tais eventos, mas mesmo séculos após o início das grandes navegações, em pleno Século XX, a realidade de encontrar populações isoladas ainda era uma realidade presente. A história mais incrível dos últimos primeiros contatos em larga escala registrados na história ocorreu nas terras altas da Nova Guiné. Lá, entre as décadas de 1.930 e 1.950, patrulhas dos governos australiano e holandês, biólogos, e expedições de reconhecimento do exército junto a mineradores em viagens de prospecção, descobriram um milhão de habitantes vivendo em vales considerados até então inabitados; populações cuja existência o mundo exterior desconhecia, e vice-versa. Embora os europeus estivessem visitando com frequência e colonizando o litoral da ilha havia 400 anos, eles desconheciam a existência de milhares de habitantes que viviam em seu interior. Foram quatro séculos sem contatos, numa mesma ilha, uns não sabendo da existência dois outros!

A Nova Guiné é uma ilha grande ao norte da Austrália com florestas tropicais pluviais nas terras baixas, e com um interior com geografia acidentada formado por serranias e vales que culminam em montanhas de até cinco mil metros de altitude cobertas de gelo e neve. Durante 4 séculos, o terreno acidentado confinou os exploradores europeus ao litoral e aos rios das terras baixas, período durante o qual se supunha que o interior era desabitado e apenas coberto por florestas. Foi um choque quando aviões contratados por biólogos e mineradores voaram pela primeira vez sobre o interior na década de 1.930 e os pilotos viram uma paisagem transformada por milhões de pessoas. Vislumbraram áreas densamente povoadas em vales amplos e abertos divididos, até onde os olhos podiam alcançar, por plantações separadas por canais de irrigação e drenagem, com terraços de cultivo nas encostas das colinas, e com aldeias cercadas por paliçadas defensivas. Quando alcançaram tal região por terra, encontraram agricultores cultivando taro, banana, inhame, cana-de-açúcar e batata-doce, e criando porcos e galinhas.

As pessoas que ali viviam não tinham nem reis nem chefes, não tinham escrita, e como vestimenta tinham pouquíssima ou mesmo nenhuma roupa. Não possuíam instrumentos de metal, e faziam suas ferramentas se utilizando de pedras, madeira, bambu e ossos. Aravam o solo, e usavam como adubo um composto feito pela fermentação de mato, capim, trepadeiras velhas e outros materiais orgânicos, aplicando lixo, cinza de fogueiras, vegetação de terrenos em descanso, troncos podres e esterco de galinha como cobertura morta fertilizante, com técnicas inventadas ao longo de milhares de anos por tentativa e erro. Tinham uma composição química diferente, mas eram fertilizantes agrícolas assim como a já citada terra preta, utilizada por civilizações ancestrais que viveram na região da Floresta Amazônica. Tais populações na Nova Guiné faziam drenos verticais para escoar os excessos de água acumulados e evitar encharcamentos, e produziam alimento suficiente para sustentar grandes populações.

A descrição de um guineense que viveu estes primeiros contatos é um vislumbre do impacto similar ao que deve ter acontecido no encontro entre os navegadores europeus e os nativos americanos: "acreditávamos que quando uma pessoa morria, sua pele ficava branca e ela atravessava para o lugar dos mortos. Quando aqueles estranhos vieram, pensamos que eles não eram da terra, choramos, porque pensávamos que eram nossos próprios parentes que tinham morrido e estavam de volta".

A intensidade e a magnitude das transformações vividas pela humanidade a partir da crescente capacidade de financiamento de investimentos para criação de valor sobre o capital econômico acontecida a partir da Revolução Industrial, casada às inovações científicas e tecnológicos proporcionadas pelo crescente avanço da capacidade de compreensão e conhecimento, foi impressionante. Não houve nada comparável antes na história da civilização humana, tendo o mais importante sido os avanços médicos. Até o Século XX, entre um terço e um quarto das crianças das sociedades agrícolas morriam antes da idade adulta. Os avanços na área de saúde levaram a uma explosão demográfica extraordinária! No ano 0, a população mundial era estimada em 300 milhões de habitantes, o que representa menos do que havia somente nos Estados Unidos no ano 2.000. Em 1.500 havia cerca de 500 milhões de Homo sapiens na Terra. Em 15 séculos, a população humana não havia ainda dobrado de tamanho em comparação ao ano 0 do Cristianismo! Em 1.750, a população mundial era estimada em 800 milhões de habitantes, menos do que havia tanto na Índia quanto na China no ano 2.000. Foi por volta de 1.805 que se estima que a quantidade de seres humanos na Terra superou a marca de 1 bilhão de pessoas. Levaria mais de um século para que dobrasse, estimando-se que tenha chegado aos 2 bilhões por volta de 1.927. Daí em diante a quantidade de Homo sapiens no planeta foi acelerada exponencialmente, ainda que o Século XX tenha tido a maior quantidade de mortes causada por guerras em toda a história humana. Em 1.960 passamos de 3 bilhões, em 1.974 alcançamos a marca de 4 bilhões, em 1.987 passamos dos 5 bilhões, e chegamos ao fim do Século XX tendo ultrapassado a marca de 6 bilhões. A distribuição a nível continental, indicava uma população na Eurásia de mais de 4 bilhões de pessoas (quase a metade disto só na China e na Índia), a do norte da África de cerca de 120 milhões, da África subsaariana de 535 milhões, das Américas de aproximadamente 736 milhões, e da Oceania de 18 milhões.

O padrão de vida médio dos humanos no começo do Século XXI - expectativa de vida, mortalidade infantil e ingestão de calorias - era significativamente maior do que era no início do Século XX, mesmo sob um crescimento exponencial da população humana, que cresceu em um século mais do que havia crescido na soma de todos os séculos anteriores! Os avanços tecnológicos fizeram com que a humanidade crescesse numa escala como nunca havia acontecido na história!

Esta escala de expansão impôs desafios novos: se a população aumentou 14 vezes e o consumo de energia 115 vezes, isto equivale a um salto de 13 trilhões de calorias de energia física consumidas por dia pelos corpos humanos, para 1,5 quatrilhão! É muita coisa! Era um desafio enorme de capacidade de produção e abastecimento de alimentos.

Ao mesmo tempo, novos desafios eram impostos a partir desta explosão de escala demográfica, pois a segunda metade do Século XX foi marcada por uma explosão de consumo de sal, açúcar e gorduras, e pelo aumento no sedentarismo. Como consequência, houve uma explosão de casos de "doenças não transmissíveis": diabetes, câncer, derrames, hipertensão, infartos, arteriosclerose, e outras doenças cardiovasculares.

Os campos de desafios impostos por este crescimento populacional tão agressivo em tão pouco tempo atingiram uma variedade de frentes extremamente ampla: a pressão sobre o meio ambiente acompanhou este movimento exponencial, com a exploração de recursos naturais tendo crescido na mesma intensidade. Com tantos seres humanos no planeta, a dificuldade de produzir alimentos para todos, levar saúde a todos, obter equidade na produção de riquezas geradas, levar a educação de qualidade de forma massiva a cada vez mais gente, tudo isto fez com que a quantidade de riscos potencialmente desafiadores fosse ficando cada vez maior. Tudo exigiu, e exige cada vez mais, habilidades humanas para superar barreiras e seguir avançando. Uma escala só viabilizada enquanto a nossa capacidade de seguir crescendo exponencialmente persistir.

A Revolução Industrial foi uma "Segunda Revolução Agrícola" no sentido de seu poder de transformação sobre o comportamento humano. As mudanças na estruturação organizacional da população foram igualmente impactantes. Por exemplo: nos Estados Unidos do início do Século XXI só 2% da população trabalha na agricultura, ainda assim o país produz não só o suficiente para alimentar 100% de sua população como gera excedente para ser exportado, tudo graças aos avanços tecnológicos na aplicação de maquinário pesado para produzir, colher e distribuir as safras. Na esteira deste processo, sem a industrialização da agricultura, a urbanização não teria acontecido, pois não haveria mãos e cérebros suficientes para trabalhar nas fábricas e nos escritórios.

Pela primeira vez na história humana, a capacidade de oferta se tornou maior do que a demanda, o que criou uma diretriz social modificada, passando a haver novas lógicas de comportamento, a maioria das quais mais apegadas ao emocional do que ao racional (sobretudo nos países mais ricos, onde o consumo se tornou compulsivo). Já não bastava mais se ter o acesso ao que era elementar para sobreviver. Mesmo pessoas mais pobres passaram a ter problemas de obesidade e não de fome.

Ainda assim, a angústia com as desigualdades sociais cresceu, e não diminuiu, pois todos queriam ter o mesmo acesso ao consumo compulsivo que os mais ricos detinham. O padrão de vida e a qualidade de sobrevivência e subsistência das pessoas que viviam nos degraus mais baixos da pirâmide socioeconômica no início do Século XXI se tornou quase tão alto - ou até mais alto, dependendo da região geográfica com a qual se faça a comparação - do que o padrão que detinham os que viviam nas camadas socioeconômicas mais altas da pirâmide no início do Século XX.

A escalada original desta dinâmica parte com a 1ª Revolução Industrial, iniciada nos Anos 1.760, um dos eventos mais importantes na história da humanidade, a qual foi impulsionada por invenções e inovações, tendo sido as mais importantes primeiro a da máquina a vapor e depois a das ferrovias. Até então, o desempenho de um empreendimento dependia exclusivamente da força humana ou animal, mas tais invenções permitiram que uma única máquina fosse capaz de reproduzir a força de centenas de cavalos atuando conjuntamente. A partir deste marco, passava-se a ser possível transportar grandes cargas de uma única vez, e alcançar distâncias antes inexploradas para a distribuição de produtos e invenções humanas. Houve um impacto espantoso, nunca antes experimentado pela raça humana, com crescimentos econômicos exponenciais e o nascimento de uma nova dinâmica social.

Posteriormente, numa 2ª Revolução Industrial, iniciada entre os Anos 1.850 e 1.860, e que adentrou o Século XX, houve um aperfeiçoamento nas inovações, as quais criaram a capacidade de produção em massa e obtiveram ganhos exponenciais de produtividade. Tais meios foram viabilizados sobretudo por invenções científicas associadas à capacidade de produção e manuseio da eletricidade.

Posteriormente, numa 3ª Revolução Industrial, iniciada a partir dos Anos 1.960, impulsionaram-se novos desenvolvimentos tecnológicos, associados às invenções de computadores, microprocessadores e da internet, que viriam a se combinar, com seus usos se popularizando a partir dos Anos 1.980, e assim proporcionando uma revolução no acesso global à informação.

A velocidade de transformação se acelerou a um nível jamais antes visto, impactando a todos os ramos das sociedades humanas! Todos os processos foram rapidamente redesenhados, com a possibilidade de eliminação de processos de controle ineficientes e desnecessários, aumentando ainda mais a velocidade com que as inovações aconteciam, proporcionando ganhos de competitividade e eficiência enormes.

Em 1.965, Gordon Moore, ao inventar o processador, preconizou que os sistemas computacionais - qualquer equipamento que funcionasse à base de chips - iria dobrar a sua capacidade de performance a cada 18 meses, graças à evolução de processamento dos novos circuitos. Em 1.975, ele revisou sua previsão aumentando para 2 anos (24 meses) o efeito de melhoria de performance em 100%. Este crescimento exponencial de fato se materializou, sendo o motor da revolução digital e uma semente de desenvolvimento de inteligências artificiais, com um crescimento fabuloso na capacidade de processamento de quantidades cada vez maiores dos dados processados, até que fosse viabilizado o desenvolvimento de algoritmos para análises preditivas com um nível de precisão cada vez maior, levando a uma 4ª Revolução Industrial, deflagrada nas duas primeiras décadas do Século XXI, que repousou as suas bases na era digital. Ela foi caracterizada por uma rede de computadores muito mais onipresente e móvel, casada ao desenvolvimento de inteligências artificiais e máquinas programadas para aprenderem sozinhas à medida de processam e correlacionam dados, com combinações entre ambientes digitais, físicos e biológicos. Novamente uma revolução tecnológica que produzia coisas impensáveis para pessoas que tivessem vivido havia apenas umas poucas décadas antes.

Com tantas transformações, toda a dinâmica social sofreu uma profunda reorganização frente à nova realidade de produção, com um nível de concorrência muito maior entre todos os agentes econômicos. Aumentos na capacidade de produção exigiram ir além do que cada trabalhador conseguia racionalizar individualmente sobre suas tarefas, surgindo funções específicas para determinar quais processos seriam mais eficientes (foi o surgimento de uma nova ciência, a administração de negócios). Foi só o começo, a intensidade e a velocidade cada vez maiores das transformações fizeram surgir novos campos de aplicação das mais variadas habilidades dos seres humanos a todo momento. O mundo inteiro se tornou integralmente conectado, e os padrões sociopolíticos vieram mudando igualmente rápido, acompanhando este ganho de escala. Mais do que nunca, sob a dinâmica de uma sociedade pluralista, o conhecimento se tornou um capital e o principal recurso na dinâmica de integração global!


Como você lida com as suas habilidades? Como se relaciona com a dinâmica coletiva para encontrar o seu papel? Encontrar as habilidades que te fazem sentir bem é o principal caminho para um sentimento constante de satisfação. Neste processo, saiba que fatores sociais, éticos e espirituais têm tanta influência sobre o sentimento de felicidade humana quanto as condições materiais, enquanto a carência de sentido é um fator psicológico de infelicidade.

Os estudos psicológicos provaram que a família e a comunidade têm mais impacto sobre a felicidade do que dinheiro e saúde (lembre-se: seres humanos são animais de comportamento de bando). A felicidade no final é definida pela química dentro do cérebro de cada indivíduo, e depende da correlação entre condições objetivas e expectativas subjetivas, isto é, entre o que se almeja e o que se conquista. A satisfação em sua vida será constante quando você encontrar dentro de você as habilidades que mais te proporcionarão sentimentos de cumprimento de missões e de conquista de seus objetivos. É exatamente por causa disto que os valores materiais nunca são um fim, são sempre um meio. Não é que devam ser desprezados ou ignorados, mas são meros facilitadores em meio ao desenrolar de um processo. É por não entender isto, que há muitas pessoas ricas que acabam infelizes, porque elas não entenderam que a vida não se trata delas, mas sim dos elos de relacionamento entre elas e tudo que as cerca.

O desenvolvimento e o amadurecimento de nossas habilidades como seres humanos são um processo de escolhas em torno de ação e reação em nosso relacionamento com nosso universo, nossa natureza e nossos diferenciais de humanização. Passam pelos ensinamentos que nos são transmitidos em nossa terra e através de nossa cultura e nosso conhecimento coletivo acumulado, para que através da coragem, da paciência e da sabedoria, possamos escolher melhor a partir de uma canalização positiva de nossas emoções, construindo laços e obtendo um refinamento constante através dos aprendizados obtidos com as lições nos mostradas por nossos fracassos.

Tudo converge para o afloramento e a maturidade das nossas habilidades econômicas, políticas e sociais, as quais desenvolvemos à medida que crescemos e evoluímos, e através das quais nos relacionamos com o mundo onde, por sua vez, este tudo responde se relacionando conosco.

Vivemos em meio a um processo cada vez mais dinâmico nos qual a ciência, a capacidade produtiva e a tecnologia se entrelaçaram, consolidando uma relação de transformação do mundo muito rápida e sob uma dinâmica muito específica. A boa notícia é que é um processo que permite espaço de participação cada vez maior a todos, mas cada vez mais exclusivos ao domínio de determinadas habilidades. Tudo é igual a uma grande pista de dança, à qual todos estão convidados a entrar, mas que para tal precisam se sintonizar ao ritmo e a cadência da música que está sendo tocada, e a ser capaz de observar os passos e movimentos que te colocam no ritmo certo.

As relações entre tudo tem conexões próprias. Mais uma vez é assim como acontece na seleção natural, na qual os mais aptos procriam mais e se multiplicam e prosperam. Entre as inovações da humanidade, as mais atraentes recebem mais recursos (por serem consideradas as mais úteis e não necessariamente as melhores) multiplicando seus efeitos, prosperando e levando à transformação da sociedade e do modo de vida. Da mesma forma, socialmente são as ideologias dominantes na sociedade, e mais aceitas, aquelas que definem quais ideias e inovações prosperarão. Há que saber ler a dinâmica dos fatos.

Tecnologias podem ser copiadas, mas a razão do que lhes fornece sustento são fatores que levam bastante tempo para amadurecer e não são facilmente copiáveis: valores, aspectos jurídicos e estruturas sociopolíticas. A forma de pensar e organizar as sociedades são diferentes e, por isto, culturas são difíceis e complexas de serem copiadas. Economicamente, o capital, assim como os seres vivos mais adaptados, domina o processo de seleção, multiplicando-se através das inovações mais aceitas pela maioria da sociedade e moldando a estrutura social pela seleção de escolhas coletivas. Há uma dinâmica própria nisto!

A economia conseguiu perdurar por um longo período de crescimento exponencial graças às inovações da ciência, sempre capaz de injetar novidades criativas para perpetuar novos fatores de multiplicação de recursos. Para aqueles que enxergam que este processo de industrialização foi uma monstruosidade que espalhou morte, opressão e injustiça pelo mundo, pode-se encher uma enciclopédia com todos os seus crimes. Para aqueles que enxergam que o este processo de industrialização aprimorou qualidade de vida com medicamentos, condições estruturais e maior segurança, pode-se encher outra enciclopédia com todos as suas realizações. Escolha em qual via você acreditará. O fato é que o crescimento econômico desafiou a quase tudo que conhecemos sobre tudo, e não há como escapar disto.

O acúmulo de conhecimento proporcionado pela ciência foi um acelerador ainda mais expressivo e, entretanto, desfruta de enorme prestígio por causa dos poderes que é capaz de dar: presidentes e generais podem não entender absolutamente nada de física nuclear, mas entendem o poder de destruição das bombas. Nossas habilidades evoluíram coletivamente como um processo de acúmulo de conhecimento de todos juntos ao longo dos tempos: se magicamente nos fosse retirado todo o conhecimento passado que nos foi transmitido, nós não seriamos capazes de nos sair melhor do que nossos ancestrais se saíram há milhares de anos atrás. Somos o produto de uma dinâmica coletiva em movimento constante. Dos bilhões de humanos que vivem neste planeta, quantos entendem realmente mecânica quântica, biologia celular ou macroeconomia? Pouquíssimos! Por isso é necessária a consciência de que o zelo por responsabilidade e por respeito deve ser ainda maior nos tempos atuais do que o foi no passado, porque o poder de destruição da humanidade cresceu tanto quanto o seu poder de criação! Em meio a esta dança, cabe a cada um escolher o seu caminho de prosperidade e geração de uma contribuição própria para a evolução da dinâmica humana coletiva.

Este desenvolvimento de nossas habilidades humanas individuais e de busca por nosso propósito de vida dependem de alguns fatores essenciais. Nós, seres humanos, temos um papel único na natureza por possuirmos a razão para guiar nossas escolhas e tomadas de decisão. Temos a missão de pensar numa forma a mais lógica possível, tomar decisões alinhadas com a realidade coletiva, e evitar ser comandado por impulsos irracionais que sejam predatórios à nossa evolução coletiva. Nosso propósito de vida surge quando entendemos o nosso próprio lugar no universo e contribuímos com o máximo que somos capazes para contribuir em prol do bem comum, controlando o que podemos controlar (nossas ações, pensamentos e atitudes) e aprendendo ao máximo com o que não podemos controlar (a “mão invisível” formada por opiniões alheias, eventos externos ou quaisquer circunstâncias nos apresentada pela vida).

Nós nos desenvolvemos à medida em que focamos no aprimoramento das nossas virtudes e não nos deixamos diminuir pelo que está fora do nosso poder. Ao fim de nossas vidas, invariavelmente constatamos que o verdadeiro desenvolvimento humano não está na busca por status, riqueza ou prazeres, mas sim no crescimento interno e na construção de uma vivência harmônica e virtuosa. Há que saber diferenciar o que é meio do que é fim na hora de definir as escolhas que pavimentarão os nossos caminhos.

O aprendizado contínuo e a busca pelo autoconhecimento são essenciais para o desenvolvimento máximo de nossas habilidades, que é o que nos leva a encontrar um propósito. O ser humano se desenvolve plenamente quando coloca as suas habilidades a serviço do bem comum! Nós encontramos tais caminhos quando nossas trajetórias convergem para aplicar nosso conhecimento e nossa aprendizagem para transformar a vida e encontrar um sentido maior para a nossa existência. O ser humano encontra o seu propósito quando desenvolve a sua essência interior e alinha sua vida e suas habilidades com princípios que são atemporais, expandindo a sua consciência e refinando as suas qualidades, ampliando a percepção sobre o tudo que o cerca e fortalecendo o seu caráter, a marca que somente nós mesmos somos capazes de deixar em tudo que nos cerca neste mundo.

A grande lição que a história de evolução das habilidades humanas nos ensina é a de que evoluímos e nos adaptamos continuamente como o agregado coletivo que nos define como humanidade, construindo a tudo, desconstruindo a tudo, e reconstruindo a tudo o tempo inteiro, desde que zelando pela sustentabilidade das soluções que viabilizam a grandiosidade do que alcançamos. Um processo no qual tudo é revisto e de novo forjado, constantemente, sob uma dinâmica contínua de acúmulo de aprendizado. Aprendemos com nossos erros, e a partir disto nos tornamos cada vez melhores dentro do que é possível no ambiente no qual estamos imersos. Tudo é reprocessado, não jogando fora a tudo que foi edificado, muito pelo contrário, através de uma busca de melhoria contínua em cima dos que nos foi transmitido pela essência do que nosso passado edificou.

A evolução humana segue uma trajetória como todas as outras do mundo natural: nunca são os maiores e mais fortes quem sobrevivem, mas sim aqueles que se adaptam mais rapidamente ao ambiente, e para isto é fundamental entender quais são as habilidades humanas mais fortes e diferenciadas que você carrega! Entenda as suas habilidades, e se prepare para fazer boas escolhas!

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