A vida é feita de vitórias e de derrotas, e há lições constantes a serem tiradas nestes processos: há que saber vencer e há que saber perder. Tanto o nosso universo quanto a nossa natureza indicam como o sustento de tudo que está à nossa volta é muito frágil. Vivemos sob uma dinâmica "castelo de cartas", sendo sempre muito árduo, trabalhoso e demorado para construir, e sempre muito rápido destruir o que está edificado. Estamos o tempo todo vulneráveis, e o que é construído só fica de pé quando há uma base sólida. Igualmente é assim tanto para tudo aquilo que é construído por nós como pela nossa humanidade. A coisa toda, tudo, qualquer coisa, pode desmoronar num instante!
O nosso passado nos mostra histórias de como este colapso pode acontecer nas "coisas dos seres humanos" quando não se é dada a devida atenção nem feita as devidas reflexões sobre os alicerces que sustentam o que está à nossa volta.
Nesta análise sobre o que o passado de grandes sociedades humanas nos ensina, vamos definir como sendo um colapso quando acontece uma drástica redução da população e/ou da complexidade política, econômica e social numa área considerável, e cuja consequência tenha se alastrado por um longo período de tempo, sendo um fenômeno resultante de uma forma extrema de diversos tipos mais brandos de declínio.
É um tanto arbitrário decidir quão drástico é um declínio de uma sociedade a ponto de que este seja considerado um colapso, mas ao que precisamos nos dedicar aqui é às relações de causa e efeito para decisões mal tomadas, sem uma profunda e ampla visão sobre as potenciais consequências e riscos aos quais se estava ficando exposto.
Para a nossa coletividade, colapsos são processos contínuos derivados de efeitos ambientais, econômicos, políticos e culturais, sendo estes últimos quase sempre associados a crenças de natureza religiosa que impediram a implementação de remédios capazes de reverter os efeitos colapsantes.
Fenômenos pontuais não são capazes de produzir um colapso, mesmo que gerem crises. É o que aconteceu, por exemplo, em 1.815, quando uma enorme erupção no vulcão Tambora, na Indonésia, lançou tanta poeira na atmosfera terrestre superior, que a quantidade de luz do sol que chegava à superfície do planeta diminuiu a ponto de afetar as colheitas na América do Norte e na Europa devido às temperaturas muito frias causadas, gerando fome e mortes a nível global. Por causa disto, o ano de 1.816 ficou conhecido como "o ano sem verão". Até que a poeira se acomodou, as condições se reestabeleceram, e a crise não se tornou um colapso. Houve consequências, mas estas foram pontuais.
Um dos maiores exemplos de como a cultura de um povo e suas crenças religiosas podem impedir tomadas de decisão eficientes para impedir colapsos de uma sociedade é visto na história da Ilha de Páscoa, no meio do Oceano Pacífico, o lugar mais isolado do planeta. As terras mais próximas dali são a costa do Chile, cerca de 3.700 quilômetros a leste, e as Ilhas Pitcairn, na Polinésia, a cerca de 2.000 quilômetros a oeste. A área geográfica mais isolada do Planeta Terra. Uma ilha triangular formada inteiramente por três vulcões que se ergueram do oceano: Poike, o mais velho, no canto sul do triângulo, Rano Kau no canto sudoeste, e Terevaka, o mais novo dos três, no canto norte, cuja erupção, há cerca de 200 mil anos, liberou a lava que hoje compõe 95% da superfície da ilha, que tem 170 quilômetros quadrados e chega a 510 metros de altitude. O oceano ao redor tem águas frias demais para a formação de recifes de corais, o vento que corta a ilha é forte demais e dificulta a formação de árvores frutíferas, por isso estas terras isoladas têm uma geografia muito frágil e vulnerável.
Outro problema associado à geografia da ilha de Páscoa é a água doce. O solo vulcânico é poroso, assim as águas de chuva infiltram-se rapidamente por ele, consequentemente os suprimentos de água potável sempre foram limitados, formando-se apenas um fluxo intermitente na encosta do monte Terevaka, havendo lagoas e pântanos no fundo das três crateras vulcânicas que compõem a ilha. Além destas fontes, só era possível obter acesso a água com a escavação de poços em lugares onde há acúmulo de água relativamente próximo à superfície. Para suprir a escassez de água potável, havia um hábito exacerbado dos insulares de beber caldo de cana de açúcar, por isso, nos esqueletos ancestrais encontrados na ilha há uma proeminência de dentes com cáries não encontrada nos restos de esqueletos de qualquer outra população humana ancestral em qualquer outra parte do planeta. As condições de sobrevivência ali eram, e são, realmente bastante particulares.
A ilha foi habilitada por uma população antiga que já havia colapsado quando os navegantes europeus chegaram nela pela primeira vez (levando germes que acabaram de exterminar com os sobreviventes deste povo do passado).
No meio da ilha está a pedreira de Rano Raraku, uma cratera vulcânica quase circular de 550 metros de diâmetro, onde podem ser encontradas, não concluídas e abandonadas pelo tempo, 397 estátuas de pedra representando de modo estilizado um torso humano masculino. A maioria delas tem entre 4,5 e 6 metros de comprimento, embora a maior delas tenha mais de 20 metros de altura, do tamanho de um pequeno edifício. Estas estátuas pesam desde 10 até 270 toneladas, encontrando-se em diferentes estágios de conclusão. Espalhadas pelo chão da cratera estão as picaretas de pedra, brocas e martelos utilizados para suas elaborações. Da pedreira partem estradas de transporte através de um desfiladeiro com cerca de 7,5 metros de largura irradiando-se a norte, sul e oeste até a costa da ilha, a 15 quilômetros de distância dali. Espalhadas pelas estradas estão 97 outras estátuas abandonadas durante o transporte. Ao longo da costa da ilha estão dispostas cerca de 300 plataformas, um terço delas servindo de suporte para 393 outras estátuas que chegaram a seu destino final. Na maior destas plataformas, Ahu Tongariki, está a maior dentre todas as estátuas, pesando 88 toneladas.
O primeiro navegador europeu a ter aportado em Páscoa foi o holandês Jacob Roggeveen, em 5 de abril de 1.722. Quando lá chegaram, foram recebidos por um grupo insular de poucos milhares de polinésios, detentores de alguns poucos barcos mal vedados com não mais do que três metros de comprimento, nos quais entravam no máximo duas pessoas. Certamente, eram canoas incapazes de fazer qualquer travessia marítima até o pedaço de terra mais próximo dali. Lá, não havia animais terrestres e toda a alimentação saía do mar. Naturalmente - e assim o registraram no diário de bordo da viagem - ficaram assombrados e incrédulos com o tamanho das estátuas de pedra que ali encontraram. Sobre a ilha relataram no diário: "vista de alguma distância achamos que era arenosa, sua aparência desolada não era capaz de provocar qualquer impressão além de uma singular pobreza e aridez".
A população nativa original da ilha tinha laços genéticos e linguísticos com os polinésios. Isto ficou explícito já em 1.774, quando um tripulante da esquadra do capitão James Cook de origem no Taiti foi o primeiro visitante a se descobrir capaz de conversar com os insulares, os quais falavam um dialeto polinésio oriental relacionado ao das ilhas do Havaí e das Marquesas, muito próximo ao dialeto conhecido como "antigo mangarevano". Seus anzóis, enxós, arpões e limas de coral assemelhavam-se muito aos antigos modelos das Ilhas Marquesas. Suas plantações cultivavam bananas, taros, cana de açúcar e amoras, produtos tipicamente polinésios.
A expansão marítima polinésia foi o mais dramático surto de expansão e exploração da pré-história humana. Até 1.200 a.C., os seres humanos que tinham se espalhado pelas ilhas da Indonésia, pela Austrália e pela Nova Guiné, ainda não tinham avançado muito além das Ilhas Salomão, a leste da Nova Guiné. Por volta desta época, um grupo de agricultores navegadores, aparentemente originário do arquipélago de Bismarck, a noroeste da Nova Guiné, atravessou quase dois mil quilômetros de mar aberto para alcançar Ilhas Fiji, Samoa e Tonga. Apesar de não ter bússolas, escrita e instrumento de metal, eles eram mestres na arte da navegação e na tecnologia de canoas a vela, além de exímios conhecedores dos voos dos bandos de aves marinhas, que parece ter sido o que lhes guiava a encontrar novas terras, permitindo-lhes uma ocupação de povoamento de oeste para leste por aquelas águas oceânicas cujos ventos e correntes marítimas - do Oceano Pacífico - têm direção de leste para oeste. O principal rastro para um mapeamento desta expansão foram os lastros deixados por sua cerâmica de estilo lapita, presente nos registros arqueológicos de todas estas ilhas.
Um espaço muito maior de águas a serem navegadas separava-os então da polinésia oriental, onde estão as ilhas Cook, Sociedade, Marquesas, Austrais, Tuamotu, Havaí, Nova Zelândia, Pitcairn, Henderson e Páscoa. Assim, após uma "longa pausa", com o avanço tecnológico das canoas e das técnicas de navegação polinésia, em algum momento entre 500 d.C. e 900 d.C. estes povos cruzaram estas distâncias e alcançaram algumas destas ilhas. Somente por volta de 1.200 d.C. seres humanos chegariam pela primeira vez à Nova Zelândia. Antes disto, porém, a Ilha de Páscoa, bem mais distante dali, já havia sido ocupada. Segundo a tradição oral de mitos e lendas do povo nativo que aí vivia à época do primeiro contato com navegadores europeus, o líder desta expedição que povoou a ilha se chamaria Hotu Matu'a.
Tanto as tradições orais preservadas pelos insulares quanto as pesquisas arqueológicas sugerem que o território da ilha era dividido em 12 subterritórios, cada qual pertencente a um clã ou grupo de linhagem, com cada área tendo um chefe único, uma plataforma cerimonial (chamadas "ahu") principal, que servia de base para as estátuas (chamadas "moai"). A ampla maioria era localizada sempre na costa, e todas com as estátuas voltadas e olhando para dentro da terra, em direção ao território de seu clã. Eles competiam, a princípio pacificamente, tentando superar aos demais clãs na construção de plataformas e estátuas. O ahu é retangular, cujos lados são lajes de pedra pesando toneladas cada uma, com o interior com recheio de cascalhos, sobre os cais eram erguidas as estátuas conduzidas até ali desde as longínquas pedreiras. Nos fundos dos ahu havia crematórios, onde há restos mortais de milhares de corpos. Para o deslocamento dos ahus e moais das pedreiras até a costa, tanto a tradição oral insular quanto as evidências arqueológicas apontam para um uso intensivo de madeira para a construção dos trilhos, trenós e cordas utilizados para mover as pedras que pesavam toneladas.
A vegetação da ilha é árida, mas não foi sempre assim. Estudos de palinologia, isto é, análise de pólen depositados nos sedimentos do fundo de pântanos e lagoas, provam que a ilha não teve um passado árido, mas sim coberto por uma floresta subtropical de grandes árvores e bosques frondosos, na qual se destacavam enormes palmeiras com mais de vinte metros de altura. Todas elas sendo árvores hoje extintas na Ilha de Páscoa. Ao mesmo tempo, há ossos de golfinho entre os depósitos mais antigos da ilha, animal que só podia ter sido pescado pelos pascoenses antigos através do uso de grandes canoas oceânicas já não mais existentes à época da chegada dos primeiros europeus, que só testemunharam a existência, em 1.722, de árvores com menos de três metros de altura presentes na ilha.
Mapeando por datação radiocarbônica as antigas sementes encontradas enterradas, pode-se identificar que a partir de meados de 900 d.C. há diminuição gradativamente crescente da vegetação nativa que dura até os entornos de 1.300, tendo atingido o seu auge de devastação por volta de 1.400, por volta de quando os restos de carvão resultantes de queimadas da mata desaparecem dos vestígios arqueológicos. Já nos montes de dejetos estudados pelos arqueólogos, os ossos de golfinho desaparecem a partir de mais ou menos 1.500 em diante, indicando a já não existência de madeiras grandes o suficiente para produzir canoas oceânicas de grande porte. Nos fogões das casas, a partir de mais ou menos 1.640 não há mais vestígios de carvão de madeira, com o surgimento de sinais de queima de ervas e mato para que fosse feito fogo, dando assim sinais da extinção por completo das florestas nativas de árvores altas e grossas.
Em seu auge, estima-se que a população da Ilha de Páscoa deve ter sido superior a 20 mil habitantes em algum momento entre 1.400 e 1.500. É o que indicam os registros arqueológicos de construções antigas encontrado. A partir de então o desmatamento causou diminuição abrupta das colheitas, uma vez que levou à exposição e a consequente erosão pelo vento e pela chuva, comprovada nas amostras de sedimentos do solo antigo estudadas pelo aumento de íons metálicos oriundos da terra em meio a tais sedimentos. Sem a vegetação mais densa, o solo ficou mais exposto ao calor do sol e teve menos restos de folhas para lhe gerar adubos naturais, passando por ressecamento e perda de nutrientes, tornando-se mais árido. Os registros orais dos sobreviventes relatam que estes foram tempos de grandes fomes. Ao tempo do primeiro contato com os navegantes europeus, somente em 1.722, a população da ilha já havia sido reduzida em mais de 70%. As epidemias de varíola que chegaram junto com os europeus, acabaram de devastar ao povo "rapa nui" que havia sobrevivido a tal saga. Sete oitavos do povo então morreu de varíola nas décadas seguintes.
Na tradição oral insular dos rapa nui, cita-se que como os chefes e sacerdotes relacionavam-se com os deuses, o povo tinha prosperidade e colheitas abundantes, obtidas pelas grandes cerimônias de adoração a seus deuses, mas que esta sociedade ruiu em guerras civis, comandadas por líderes militares chamados matatoa, depois que a prosperidade das plantações acabou, derrubando-se os antigos cultos e substituindo-os por novos. Os relatos referentes a tais tempos de escassez passam a conter histórias obsessivamente repletas de canibalismo, que passou a ser um fator comum.
As histórias de colapsos no passado não ficaram restritas a ilhas isoladas no meio do oceano, também aconteceram na América pré-colombiana. A mais conhecida é a do Império Maia, embora ela não tenha sido a única. Os europeus, ao aprofundarem suas explorações após terem aportado no continente, encontraram ruínas abandonadas a sudoeste dos Estados Unidos no território então ocupado pelos povos nativos da etnia navarro, que lhes transmitiram que aquelas construções haviam pertencido aos anasazi (cujo significado é "antigos" na língua navarro). Estudos arqueológicos posteriores identificaram sinais de uma grande sociedade complexamente organizada, geograficamente extensa, e regionalmente integrada que deixou sinais de ter vivido ali de cerca de 600 d.C. até aproximadamente 1.200 d.C.. Estudos das camadas subterrâneas do solo indicaram períodos de grandes secas por volta de seu abandono, assim como os registros arqueológicos indicaram sinais de muitos conflitos bélicos.
É uma história muito parecida à do povo maia, o qual viveu na Península de Yucatán (hoje parte do México) e na América Central. As cidades maias acabaram abandonadas e só começaram a ser redescobertas a partir de 1.839 pelas explorações de um rico advogado norte-americano chamado John Stephens junto a um projetista inglês de nome Frederick Catherwood. Desde então, ao longo dos Séculos XX e XXI, mais e mais cidades foram sendo encontradas em meio à densa selva que cresceu sobre aquelas ruínas.
Por toda a Mesoamérica não havia materiais de metal nem animais grandes o bastante para carregar carga ou puxar arado. Todos os utensílios humanos dos povos nativos que ali viveram eram feitos à base de pedra e madeira, e foram com estes recursos que estes povos construíram os grandes templos que viriam a ser encontrados séculos depois em meio à densa selva.
Os conhecimentos dos maias foram herdados de povos que habitaram as regiões próximas na Mesoamérica antes deles: a agricultura era praticada desde 3.000 a.C., havendo restos de cerâmica datados de 2.500 a.C. e indícios de formação de grandes aldeias desde 1.500 a.C., assim como cidades do povo olmeca construídas a partir de 1.200 a.C., já a escrita teria surgido ali com o povo zapoteca na região de Oaxaca por volta de 600 a.C.. Na região propriamente ocupada pelo Império Maia, aldeias e cerâmica aparecem a partir de 1.000 a.C., grandes edificações de pedra a partir de 500 a.C., e a escrita por volta de 400 a.C., feita com cascas de árvore e gesso, ou gravada em pedra nos monumentos, fazendo menção sempre a reis e à nobreza, e às suas grandes conquistas. É uma história que, infelizmente, foi muito pouco preservada, pois quase todos os livros em cascas de árvore e gesso elaborados pelos maias foram destruídos pelos padres católicos espanhóis para apagar qualquer rastro do que consideravam crenças pagãs, tendo somente 4 livros sobrevivido a tal destruição, os quais contém tratados de astronomia referentes aos movimentos do céu noturno, e com referências ao calendário.
Os calendários na Mesoamérica surgiram fora da região maia, sendo conhecidos dois complementares, um solar de 365 dias e um ritual de 260 dias. Já o famoso Calendário Maia gravado em pedra se inicia no dia 11 de agosto de 3.114 a.C., sem que tenha ficado preservado o porquê deste registro histórico ter se iniciado em tal data. O calendário de conta longa nomeava as datas em unidades de dias (kin), 20 dias (uinal), 360 dias (tun), 7.200 dias (katunn) que são aproximadamente 20 anos, e em 144.000 dias (baktun) que são aproximadamente 400 anos. Toda a história maia transcorreu nos baktuns 8, 9 e 10. Este era o calendário com o "Longo Ciclo Maia" em pedra que findava em 21 de dezembro de 2.012.
O período clássico da civilização maia se iniciou por volta de 250 d.C., com o surgimento dos primeiros reis e dinastias. O rei funcionava como um sacerdote, responsável por ministrar rituais astronômicos e através deles proporcionar chuva, colheitas e prosperidade para todo o povo. Era comum que em tempos de seca houvesse revoluções políticas com a derrubada e a substituição do rei. O último registro histórico entalhado encontrado em um monumento se refere ao ano 909 d.C., no baktun 10 do calendário maia. Os registros arqueológicos indicam tal acontecimento já em meio a um processo de uma drástica redução populacional. A população maia seguiu existindo posteriormente, mas já não mais em seu apogeu e com a mesma densidade demográfica de outrora.
A região que foi habitada pelos maias tem como característica a alternância entre períodos de intensas chuvas e de longas estiagens e secas. Assim, a grande parte das cidades maias cresceu em torno de grandes reservatórios naturais de água chamados cenotes, em torno dos quais eles construíram suas crenças religiosas e a sua mitologia. Tendo os maias sido o único povo da América pré-colombiana a haver deixado registros escritos, isto permitiu uma reconstrução mais fidedigna de parte de sua história e de suas crenças.
Sua sociedade foi basicamente construída em torno de uma agricultura de subsistência. A análise científica isotópica dos restos mortais encontrados nos sítios arqueológicos permitiu a reconstrução de sua dieta alimentar, composta em 70% por produtos derivados do milho. Eles também consumiam feijão, abóbora, mel de abelhas, peixes e muito restritivamente, com indícios bem maior de consumo pelos membros de sua elite política e religiosa, alguma carne de veado, animais que eram caçados nos bosques.
As marcas deixadas no meio ambiente no qual viviam também podem ser reconstruídas pela arqueologia. Há indícios deixados no solo de efeitos de desmatamento e erosão das encostas que causaram uma diminuição na quantidade de terras cultiváveis, exacerbando um período de secas antropogênicas resultantes da redução de árvores, em muito causadas pela demanda de produção de gesso para a construção dos grandes templos, o que teria causado um esgotamento de nutrientes do solo. São indícios de um crescimento populacional maia que teria superado os recursos naturais disponíveis, gerando restrições na capacidade de abastecimento alimentar que teriam provocado guerras e induzido a um abandono paulatino das grandes cidades, com os maias sobreviventes migrando para outras regiões que tinham reservatórios de água maiores. As grandes cidades abandonadas foram aquelas em regiões aonde a água para consumo era escassa ou de mais difícil acesso.
O que a história de colapsos humanos nos mostra é que não basta repetir soluções que deram certo num lugar em outro, pois nem sempre o que dá certo para um, necessariamente dará para outro. A história de ocupação da Islândia, próximo ao Ártico, é um grande exemplo disto. Os primeiros escandinavos a aportarem naquela grande ilha remota eram navegadores do povo viking. Ao lá chegarem, encontraram enormes campos de gramíneas verdes similares aos que tinham na Dinamarca e na Noruega. Um quarto da área da ilha era florestada. Os campos islandeses eram parecidos, mas não eram iguais, e eles só descobriram isto quando já era muito tarde.
Os campos que habitavam antes tinham sido formados por atividade vulcânica antiga e estiveram completamente tomados por geleiras durante a Era do Gelo, tornando-se solos pesados, comprimidos pela abrasão das geleiras contra as camadas de rocha abaixo delas e pela emersão de lama marinha, por isto não eram solos frágeis, eram mais resistentes. Na ilha que abriga a Islândia a atividade vulcânica era bem mais recente, com um solo mais pueril e vulnerável à ação dos ventos.
Quando os colonos vikings chegaram, derrubaram muitas árvores para ampliar as pastagens e para obter lenha e madeira de construção. Cerca de 80% da floresta original foi derrubada em algumas décadas. O solo mais frágil perante a erosão não se recuperou e o ambiente logo se tornou árido, com apenas 1% da área ainda florestada, tendo o local assim se tornado um deserto feito pelo homem. Não havia conhecimento científico de que a vegetação e o solo eram muito mais frágeis dos que aqueles com as quais estavam acostumados. Somente fizeram como sempre faziam. Não funcionou.
As capacidades de se adaptar e de fazer escolhas certas têm que se sustentar em decisões tomadas com o máximo de conhecimento possível e, o que é o mais fundamental, com flexibilidade. Sem conseguir cultivar alimentos na Groenlândia, os nórdicos acabaram forçados a abandonar a região. Se tivessem aprendido o manuseio do ambiente com aqueles que ali encontraram, não teriam precisado abandoná-la. O povo inuit (popularmente chamado de esquimós) chegou à mesma região por volta do ano 1.000 d.C. migrando a partir do extremo norte das Américas. Detinham um conhecimento milenar acumulado pelos povos que ocupavam a região do Ártico, com um desenvolvimento cultural adaptado ao clima de extremo frio, construindo iglus sob a neve e se tornando exímios caçadores de baleias e focas, de forma que assim conseguiam alimentar uma população bem maior em seus povoados do que a dos nórdicos que tinham alcançado à Groenlândia. Além de que tinham a capacidade de usar a gordura de baleia como combustível, dispensando a necessidade de queima de madeira. Caçavam no mar usando caiaques de seis metros de extensão feitos com couro de foca - chamados umiaques - usando arpões e bexigas de pele de foca cheias de ar como boias, com uma técnica só possível porque as pontas dos arpões facilmente se desencaixavam da hasta uma vez que uma baleia era atingida, deixando as boias atadas ao animal, que tinha dificuldade para submergir, sendo forçado a voltar à superfície diversas vezes, até que demonstrasse exaustão, quanto então os caçadores voltavam a se aproximar com os umiaques para enfim utilizar as lanças para concluir a caça.
Já os vikings tinham embarcações com tecnologia para navegações de mais longo alcance, mas não dominavam tais técnicas de caça em alto mar. E nem tentaram aprendê-la, pois por suas próprias barreiras culturais, consideravam os inuits abrutalhados que nada lhes teriam a ensinar. Por que não se adaptaram? Por fatores intrínsecos à nossa humanidade: os valores aos quais as pessoas e as sociedades humanas se apegam mais fervorosamente em condições inadequadas são aqueles que antes eram fonte de seus maiores triunfos sobre as adversidades de outrora sob outras condições. Por isto a história humana sempre foi repleta de choques culturais.
O manuseio de recursos naturais sempre foi um fator diferencial para a sustentabilidade humana. O crescimento exponencial demográfico da população global deixou isto mais evidente ainda a partir do Século XX, mas a importância no manuseio da natureza sempre foi fator determinante!
A história de apogeu e declínio do Império Khmer, que existiu na região onde está o Camboja, e cujo ápice foi vivido entre 802 e 1.431 d.C., é mais uma lição que a história nos traz a respeito disto. O império controlava a maior parte do sudeste da Ásia, o que incluía áreas atualmente pertencentes a Camboja, Laos, sul do Vietnã e Tailândia, terras percorrendo o rio Mekong, o sétimo maior rio do mundo. As marcas destes dias grandiosos ficaram no sangue do povo cambojano, sendo o Camboja do Século XXI um dos mais homogéneos países da Ásia em termos de etnia, sendo a sua população constituída em 90% por descendentes khmer.
Angkor era a sua capital, que era uma das maiores cidades do mundo na época, com uma população estimada de creca de um milhão de pessoas. O império era dividido em aproximadamente 23 províncias, e tinha uma forma sofisticada de governo para aqueles dias, inclusive em níveis locais de gestão.
O Império Khmer foi precedido pelo Império Chenla, um sistema político com centros de poder mutáveis, dividido no início do Século VIII em Wentan (ou "Land Chenla", isto é: "Chenla terrestre") e Southern Chenla (ou "Water Chenla", isto é: "Chenla aquática"). No final do Século VIII, a Water Chenla foi absorvida em parte pelos malaios do Império Srivijaya e em outra pelos javaneses do Império Shailandra, sendo eventualmente incorporada a Java e Srivijaya.
Em uma região que atravessava anualmente meses de seca por causa das monções, os reis perceberam que era fundamental criar um sistema de irrigação eficiente, que proporcionasse água o ano todo, por isto construíram uma sofisticada rede de canais e reservatórios que permitiam a irrigação constante das plantações de arroz, o principal alimento da população e principal riqueza khmer, proporcionando um período de crescimento sem guerras, financiando desta forma extensos projetos de construção de grandiosos e vultuosos templos religiosos através do comércio e da agricultura. Esta grandeza era toda ela sustentada pela viabilidade de um imenso reservatório de água de quase 5 quilômetros quadrados, com capacidade para até 8 milhões de litros cúbicos d'água, mais do que suficiente tanto para abastecer a cidade inteira quanto para irrigar a todos os campos de arroz.
Angkor Wat, um grande complexo religioso, foi construído por Suryavarman II em 1.122 d.C e levou 30 anos para ser concluído. O monarca desenvolveu o projeto inicial da gigantesca nova capital em um local ainda mais privilegiado – entre o lago Tonlé Sap e as montanhas - onde a água era mais abundante. Da tecnologia empregada em Angkor derivou toda a prosperidade agrícola da planície cambojana, controlados por um sofisticado sistema de lagos artificiais e canais capazes de produzir solos com imensa fertilidade.
O sistema de águas de Angkor, controlado pelo rei, era encarado pela população com reverência religiosa. O rei passou a ser visto como um deus, já que era o fornecedor da divina água. Os diversos templos e palácios da capital do império foram levantados como expressão dessa devoção. Os primeiros templos construídos eram relativamente pequenos, mas os khmer foram tomando gosto pelas megaconstruções. Angkor Wat é o maior exemplo disso, a obra-prima da arquitetura khmer, com 1.550 metros de comprimento por 1.400 metros de largura, e rodeada por um imenso fosso.
Dando prosseguimento ao projeto de grandeza, o rei Jayavarman VII construiu o complexo Angkor Thom - que então era chamada de Jayashri, que traduzido do sânscrito significa "Afortunado pela Vitória" – junto ao qual formou uma extensa rede de estradas conectando todas as cidades. Lá foi construído o maior templo que os khmer já tinham visto, Bayon, o qual o rei dedicou não aos deuses hindus, como era costume até então, e sim para as divindades budistas. O templo Bayon tem três andares, quarenta e nove torres, cento e setenta e dois rostos de pedra, mil e duzentos metros de baixos-relevos, e se tornou um importante centro comercial, visitado constantemente por chineses e indianos.
Foi assim, com Angkor Wat e Angkor Thom, que a sociedade khmer foi capaz de erguer uma megalópole de 1.000 quilômetros quadrados, ou seja, algo entre os tamanhos geográficos que tinham as cidades de Nova Iorque e São Paulo ao fim do Século XX. Até a Revolução Industrial, no Século XIX, a cidade de Angkor foi a maior que já havia existido no mundo! Entretanto, acredita-se que sua construção tenha sido o começo do fim do Império Khmer, pois os esforços empregados nela teriam sido custosos demais, tendo os valores normalmente aplicados no sistema de irrigação sido desviados para o levantamento do santuário.
A grandiosidade do Império Khmer acabou implodindo por causa dos problemas com o seu sistema de águas, que ficou cheio de lodo quando as árvores foram cortadas para fazer campos de arroz, com o controle de inundações tendo ficado comprometido. Há provas arqueológicas mostrando que o sistema hidráulico da cidade acabou provocando um enfraquecimento do terreno, com sinais de erosão comprovando uma perda de fertilidade do solo causada pelo excesso de desmatamento.
Embora seja correto também constatar que no Século XIII o império passou a ser mais atacado por povos que ocupavam as regiões onde hoje estão a Tailândia e o Vietnã, tendo a cidade de Angkor começado a ser saqueada com alguma frequência, a causa raiz da debilidade residiu no comprometimento de seu sistema de águas.
As crises civis domésticas causadas pelos problemas nos reservatórios de água que tinham sustentado a gigantesca cidade por século geraram instabilidades políticas, enfraquecendo a coesão, o que acabou permitindo a vulnerabilidade que levou à sua queda. Muito provavelmente uma história cheia de correlações e similaridades com a queda do Império Maia na Mesoamérica.
Em 1.431, a partir de uma revolta da região da Tailândia, no reino Tai, houve uma grande invasão massiva, com os tailandeses roubando toda a capital khmer. Foram as lutas internas pelo poder no reino o que tornaram mais difícil uma união para vencer àquele inimigo. Abandonada, a antes rica Angkor foi aos poucos sendo dominada pela selva. Somente quatrocentos anos depois a cidade foi redescoberta, e sua saga recomeçaria a ser contada por exploradores e cientistas.
Para entender a todas estas histórias a fundo, é preciso compreender que antes das indústrias se desenvolverem, a madeira e a lenha eram os recursos básicos da humanidade para energia, construção, habitação e navegação. A gestão dos bosques fornecedores de madeira, a atividade chamada silvicultura, existe desde tempos remotos como atividade focada em impedir que colapsos ambientais extinguissem florestas.
A nossa história é repleta de desafios de gestão complexos. Por exemplo, os grandes latifúndios agrícolas do Império Romano precisavam se preocupar em se planejar para que pudessem zelar pelo suprimento de madeira do qual necessitavam. No Império Bizantino, já no Século V, na costa do mar Adriático, havia plantações de pinheiro manso com a mesma preocupação. Os visigodos, no Século VII, quando confrontados com uma escassez crescente de madeira, trabalharam na gestão e na preservação de suas florestas de carvalhos e pinheiros. Os casos mais emblemáticos entre os mais antigos em eficiência para reflorestamento, no entanto, são os da Alemanha no Século XIV, sobretudo na região de Nuremberg, e no Japão no Século XVI, onde ações pensadas de regeneração florestal foram empregadas, nos primeiros passos do que veio a ser a silvicultura moderna.
Assim como aconteceu na Ilha de Páscoa, na Mesoamérica Maia, na Groenlândia ou em Angkor, também ocorreu em outras regiões desde tempos muito remotos na história humana, gerando enormes instabilidades políticas e guerras. Nem sempre houve reação a tempo para reverter a situação e assim impedir uma deterioração completa.
Nem sempre é o excesso de abundância o causador da devastação, o excesso de escassez também tem um poder destrutivo e devastador em igual escala. Um caso emblemático está na história da Ilha de Hispaniola, na América Central. Esta ilha é cortada por uma fronteira de 193 quilômetros que separa a República Dominicana e o Haiti, países que ocupam cada um deles um lado da ilha. Originalmente, toda a ilha era amplamente florestada. Desde a chegada dos europeus ali, em 1.492, ambos os lados perderam suas florestas, mas o Haiti perdeu muito mais. Ao fim do Século XX, quinhentos anos depois, pouco menos de 30% do lado dominicano tinha florestas, enquanto apenas 1% do lado haitiano as tinham. Tais desflorestamentos provocaram erosão e perda de fertilidade do solo, assoreamento de rios, e diminuição de chuvas, problemas que ambos os países enfrentaram, mas um claramente mais do que o outro.
Ao contrário do que intuitivamente pode sugerir o senso comum, o lado mais pobre desmatou mais, não o mais rico. Embora ambos os países tenham um histórico de pobreza, no Haiti o problema cresceu muito mais do que na República Dominicana, cuja renda per capita ao fim do Século XX era cinco vezes superior à haitiana. Proporcionalmente aos altos níveis de pobreza, a corrupção e a incapacidade da gestão pública para definir e fazer com que áreas de proteção ambiental fossem respeitadas, fizeram com que a luta de subsistência de camadas mais pobres haitianas levasse a um nível de devastação maior. Para qualquer pensamento inclinado a caricaturar a história do desflorestamento como "determinismo ambiental", o caso de Hispaniola é um antídoto eficaz.
Colapsos sempre afetam as sociedades humanas, mas as respostas da sociedade às situações enfrentadas fazem toda a diferença. Como diz um velho ditado: o que mais importa não é o que acontece conosco, o que mais importa é a forma como reagimos ao que acontece conosco. Ações e inações humanas são aquilo que verdadeiramente fazem a diferença, sempre! O destino de uma sociedade repousa em suas próprias mãos e depende substancialmente de suas próprias escolhas. Há que se entender e avaliar quais são os recursos renováveis, aqueles que podem ser explorados indefinidamente desde que sejam removidos a uma taxa inferior à de sua regeneração, para que a disponibilidade de recursos não acabe sendo extinguida.
Decisões desastrosas que levam a colapsos podem acontecer por diversas razões. Ocorrem quando os responsáveis pelas tomadas de decisão ou não conseguem antever o problema que está por surgir (ao menos entender as suas consequências) ou porque podem não ter tido experiências prévias parecidas que lhes permitam estar sensíveis e conscientes das consequências dos mesmos.
É comum que a percepção destas seja muitas vezes prejudicada quando há uma distância longa e uma evolução paulatina entre causa e consequência. É ainda pior quando em meio à longa distância no tempo, ainda tenha havido frequentes variações, com a degradação tendo acontecido em ciclos não contínuos. Fatores assim costumam afetar ao aprendizado tanto coletivamente quanto individualmente na trajetória de nossas próprias vidas pessoais.
Um fator de dificuldade a mais é que muitas vezes há a percepção e a identificação do problema que está em curso, mas não se consegue agir para solucionar o processo que o causa e resolver o problema, o que pode acontecer por diversas razões. Só a força da consciência da intensidade das consequências para ajudar nestes casos a se gerar poder de convencimento para endossar aos pontos que precisam de correção e tratamento.
Entretanto, o problema mais comum, aquele que ocorre na maioria das vezes nas sociedades humanas, tem fatores causadores de colapso ainda mais complexos. Ocorrem quando há a consciência e o conhecimento dos problemas, mas não há capacidade de organização da coletividade para conseguir conciliar os interesses em torno das soluções aplicáveis, não sendo possível harmonizar os conflitos de interesse envolvidos. Tais situações estão comumente associadas ao despotismo de um líder ou de um grupo detentor de poder, os quais se creem donos da razão absoluta, ficando ainda mais grave nas situações nas quais estes detêm poder militar para impor a sua vontade sobre a maioria.
A maior de todas as forças que costuma aparecer nestes casos para afetar a insensatez política é a luxúria pelo poder, a qual, combinada a uma ausência de capacidade institucional e organizacional coletiva a zelar pelo interesse da maioria, é sempre altamente danosa. O comportamento instintivo da natureza humana costuma se manifestar naqueles que estão causando danos coletivos sob a seguinte forma de pensar: "se eu não estivesse causando este dano, alguém o estaria causando no meu lugar, pois a oportunidade está dada, de forma que não há sentido em ser comedido".
Por isto, a experiência coletiva humana nos indica que só uma regulamentação controlada pela maioria pode ser eficiente contra danos causados individualmente. E ainda assim, estas experiências antigas na história humana de colapsos coletivos o provam: não há certeza do quanto se é capaz de impedir colapsos de acontecerem. O segredo de sucesso ou fracasso está em se saber a quais valores fundamentais se apegar, a quais descartar e a quais substituir. Por isto, um pensador religioso do Século IV (Agostinho de Hipona) pedia em suas preces pessoais: "Senhor, dai-me coragem para mudar o que pode ser mudado, paciência para suportar o que não pode ser mudado, e sabedoria para saber distinguir uma coisa da outra".
Estas são as causas mais comuns da incapacidade de resolver os problemas percebidos. Assim como ocorre coletivamente, individualmente também é muito comum que algumas características humanas interfiram na nossa capacidade como indivíduos de resolver os nossos problemas. É sempre bom lembrar que o coletivo humano não passa da soma de todas as individualidades que o formam. A cultura de uma sociedade, as suas características emocionais coletivas, são tão só a soma de características mais reproduzidas pela maioria daqueles que formam tal grupo. A persistência nos erros, teimosia e resistência a mudanças, a recusa em se interferir a partir de sinais e resultados negativos, e a estagnação mental, aparecem primeiro como características individuais antes de se manifestarem socialmente pelo coletivo dos grupos humanos. O favorecimento de grupos exclusivos a seus próprios interesses, sobrepondo-os ao interesse coletivo, mostra-se um fator autodestrutivo no longo prazo.
Quando há consciência dos efeitos das ações coletivas e há capacidade de regulamentar e ordenar as tomadas de decisão coletivas que impactam uma sociedade inteira, há meios para se evitar colapsos. Em toda sociedade humana politicamente complexa nas quais as pessoas encontram outros indivíduos com quem não têm vínculo familiar ou relacionamento de clã, a regulamentação do governo foi criada justamente por ser necessária para o cumprimento de princípios morais, um primeiro passo principal de nossa humanidade necessário para evocar comportamentos virtuosos.
Uma reversão depende unicamente de nós termos a capacidade de criar ordem e estabelecer regras de convívio que permitam germinar a prosperidade e o desenvolvimento. E novamente há lições de nossa história que nos mostram isto: quando a colonização europeia começou na Austrália, em 1.788 d.C., o continente já era ocupado havia 40 mil anos pelos aborígenes, povos que não tinham desenvolvido a agricultura e eram nômades. A ocupação da Austrália pelo Império Britânico foi feita por imigrantes que lá chegaram não em busca de melhores condições de vida, mas por terem sido obrigados a ir para lá. Para aliviar a sua sociedade de uma grande quantidade de prisioneiros pobres, diminuindo riscos de rebeliões nas prisões, a lei da Inglaterra enviava ao longínquo e desértico continente australiano as pessoas condenadas por pequenos roubos ou dívidas não pagas, em frotas para lá enviadas de 1.788 até 1.868, que chegaram a Sydney, Melbourne, Brisbane, Perth e Hobart, que vieram a ser as regiões mais densamente povoadas da Austrália no século seguinte. Um começo de trajetória histórica que poderia ter sido pilar de fracassos, mas a Austrália altamente desenvolvida socioeconomicamente no Século XXI nos ilustra como o destino construído foi outro. As pessoas que lá chegaram não tinham outra opção que não a de construir um lugar próspero para elas mesmas viverem. Quando há propósito e intenção de gerar prosperidade, a evolução civilizatória acontece.
Há dois tipos de escolha que são cruciais para o sucesso ou para o fracasso: planejamento de longo prazo e vontade de reconsiderar antigos valores. Sempre podemos reconhecer o papel crucial destas mesmas duas escolhas para o resultado de nossas vidas. Individualmente, na esfera das escolhas pessoais, os paralelos são: entender onde quero chegar como pessoa, e constantemente refletir e se autoavaliar para saber se as suas atitudes te estão levando ou não na direção para onde você quer chegar. Para isto, temos a oportunidade de aprender com os erros de gente distante de nós - tanto geograficamente no espaço físico como historicamente no espaço temporal - para tirar proveito, fazer a diferença e nos guiar em direção às melhores escolhas que estão a nosso alcance.
São muitas as lições que a história nos ensina entre as trajetórias que proporcionam sucesso e as que levam a fracassos. Há que saber entendê-las, interpretá-las, e absorver lições. São inúmeros fatores que estão constantemente nos dando sinais a nosso redor. Por exemplo, a inovação tecnológica contribui para a prosperidade das sociedades humanas, porém implica sempre em processos de substituição do antigo pelo novo, destruindo privilégios econômicos e poder político de alguns para os repassar para outros. Sempre há barreiras em processos de destruição criativa por parte daqueles que trabalham com as antigas tecnologias, que enxergam seus meios de subsistência ameaçados. São processos que causam sucesso de uns e fracassos de outros. Os que perdem hoje, ganham amanhã, e vice-versa. É assim ao longo de toda a vida, e temos que estar preparados para lidar da melhor maneira com isso, minimizando os danos.
Esta dinâmica sempre existiu nas sociedades humanas: na Idade Média, Veneza era muito provavelmente o lugar mais rico do mundo. A cidade conquistou a sua independência em 810 d.C., num momento no qual a economia da Europa estava se recuperando do declínio sofrido pelo colapso do Império Romano. Com a reconstrução de poderes políticos centrais fortes que proporcionavam maior estabilidade, segurança e expansão comercial, Veneza tinha uma posição geográfica privilegiada da qual tirou proveito. Posicionada bem no meio do Mar Mediterrâneo, seus portos estavam cheios de especiarias chegadas do Oriente, produtos de fabricação bizantina, assim como de um intenso e desumano comércio de escravos. Ambos os fatores lhe proporcionavam uma intensa circulação monetária e muitas oportunidades de negócio.
Um dos principais fundamentos de sua expansão econômica tinha sido uma série de inovações contratuais inclusivas, sendo a mais célebre a "commenda", um tipo rudimentar de sociedade anônima constituída por tempo determinado, durante uma determinada missão comercial. Envolvia basicamente dois sócios, um sedentário que permanecia sempre em Veneza e outro em movimento constante, que saía junto com as missões comerciais, sendo o sedentário quem injetava a maior parte do capital na empreitada (o financiador). Os lucros eram divididos de duas formas, dependendo do contrato assinado: na commenda unilateral, o financiador colocava 100% dos recursos e ficava com 75% dos lucros, e na commenda bilateral, o financiador entrava com 67% do capital e ficava com 50% do lucro. Estes modelos de negócio proporcionaram enriquecimento a uma ampla quantidade de jovens com espírito empreendedor, num modelo que ampliou a participação da fatia da sociedade que tinha acesso às decisões políticas. Redistribuiu poderes, o que sempre causa atritos e conflitos. Viveu e desfrutou de um ciclo, no qual a própria cidade com o tempo não conseguiu sustentar as suas vantagens, e perdeu espaço. Mas obteve crescimento neste período próspero!
As inovações costumam ser eternamente fatores germinadores de sucessos e fracassos, induzindo transformações, substituições, e necessidade de adaptações frente ao novo. Em 1.445 d.C., na cidade germânica de Mainz, Johannes Gutenberg levou a público uma inovação com profundas consequências para a histórica econômica posterior: uma prensa tipográfica baseada em tipos móveis. Até então os livros precisavam ou ser copiados à mão por escribas (processo muito lento e laborioso) ou eram xilogravados (com uma peça de madeira entalhada específica para cada página). Os livros eram poucos e esparsos, e caríssimos. Depois da inovação de Gutenberg as coisas começaram a mudar. Os livros, agora impressos, aumentaram em número e disponibilidade. Sem tal inovação, a alfabetização e a escolaridade em massa teriam sido impossíveis. Mas foram muitas as sociedades que não aceitaram esta novidade e impediram por muito tempo a sua implementação. Aquelas que superaram as resistências e se abriram à nova técnica, obtiveram uma enorme vantagem competitiva e alcançaram um patamar de desenvolvimento diferenciado a partir de então. A lição é que há que se estar aberto e atento sempre, e pronto para se adaptar. A civilização humana é dinâmica, porque a própria natureza humana assim o é. Ninguém resiste a novidades e ao prazer de desfrutar de sensações e experiências diferentes. O cerne humano busca sempre pelo que é novo!
Há inúmeros detalhes que separam o sucesso do fracasso! As diferenças de desenvolvimento humano não residem em pequenas diferenças muito grandes, mas sim por uma grande quantidade de diferenças muito pequenas! Todos os relatos seguintes de nossa história comprovam isto.
Por volta de 1.500, quando os europeus chegaram às Américas, a densidade populacional na região que veio a ser os Estados Unidos - exceto por alguns bolsões - era no máximo de 3/4 de pessoa a cada 2,5 quilômetros quadrados, enquanto na região central do que hoje é o México e na região da Cordilheira dos Andes onde hoje está o Peru, esta chegava a 400 pessoas para a mesma área, um número mais de 500 vezes superior.
Quando espanhóis e portugueses impuseram seus modelos de colonização das áreas mais densas das Américas, que eram onde estavam as maiores riquezas a serem extraídas, erigiram sociedades sobre a exploração das populações nativas locais, criando monopólios, bloqueando incentivos econômicos e concentrando o poder em grandes latifúndios. Enquanto isto, nas áreas menos densamente povoadas e sem tantos atrativos econômicos a serem explorados, a colonização quando houve foi mais tardia e em outras bases socioeconômicas, onde as riquezas estavam mais igualitariamente distribuídas.
As instituições políticas e econômicas extrativistas implementadas pelos colonizadores na América Latina afetaram a capacidade de desenvolvimento da região: as regiões neste subcontinente que se saíram relativamente melhor foram aquelas negligenciadas por Espanha ou Portugal, onde não havia uma grande concentração de população nativa ou riquezas minerais. As partes menos desenvolvidas da América Latina no Século XXI são justamente aquelas que representavam a maior pujança econômica tanto para espanhóis quanto para portugueses nos Séculos XVIII e XIX.
Os países mais ricos se desenvolveram porque seus cidadãos criaram uma sociedade em que os direitos políticos foram distribuídos de forma muito mais ampla, onde o governo tinha de prestar contas de seus atos a seus cidadãos, e onde a grande massa da população tinha condições de tirar vantagem das oportunidades econômicas.
A grande revolução econômica na Inglaterra que determinou a Revolução Industrial e mudou toda a dinâmica mundial foi precedida por uma revolução política que produziu um conjunto específico de instituições muito mais inclusivas do que as encontradas em qualquer sociedade anterior. O apogeu destas cizânias institucionais dos Séculos XVI e XVII se deu por dois eventos chave: uma Guerra Civil entre 1.642 e 1.651, e sobretudo a Revolução Gloriosa de 1.688, a qual restringiu os poderes do rei e abriu o sistema político com um amplo corte transversal, aumentando a parcela da sociedade capaz de exercer uma considerável influência sobre o funcionamento do Estado, o que incentivou investimentos, ampliou redes de comércio, e estimulou inovações. É uma história que exemplifica perfeitamente como o sucesso precisa ser conquistado e construído em nossas vidas, não sendo um produto do acaso.
Em 1.688, os ingleses promoveram a revolução que transformou sua política e, por conseguinte, a economia do país. As pessoas lutaram por mais direitos políticos e os conquistaram, usando-os para expandir suas oportunidades econômicas. O resultado a partir de então foi a construção de uma trajetória essencialmente distinta, a qual viria a culminar, anos depois, na Revolução Industrial.
Ainda que menos de 2% da população tivesse acesso ao voto (a Inglaterra estava muito longe de ser uma democracia naquele momento) e que tal acesso tenha gerado apenas um pequeno grau de reatividade, só pelo fato de ter havido uma abertura para que qualquer um pudesse enviar petições ao Parlamento (as quais se multiplicaram exponencialmente) e por ser o mesmo forçado a avaliar e votar cada petição recebida, isto por si só já foi suficiente para que provocasse uma ascensão do pluralismo a partir de então, mudando os rumos da Grã-Bretanha.
Outro elemento significativo decorrente também dos eventos de 1.688 foi que o Estado começou a depender mais do talento e menos de indicações de cunho político, desenvolvendo uma complexa infraestrutura movida por meritocracias para administrar o país. Em função disto, foi formulado um registro de arrecadação muito bem elaborado a partir de 1.710, com um tão notável grau de supervisão da sociedade pelo Estado. Aquele sistema superava - em muito, e já naquele momento - à capacidade de controle dos governos de mais da metade dos países do planeta no Século XXI, mais de três séculos depois.
Os direitos de propriedade e de patentes foi assegurado com firmeza, e isto estimulou saltos de inovação. Junto, a lei e a ordem foram rigidamente garantidas. A combinação destes fatores facilitou a construção da infraestrutura de estradas, canais e ferrovias, fatores que foram cruciais para a expansão industrial.
Nada foi acaso, tudo na Revolução Industrial foi fruto de uma sequência de escolhas bem-feitas, decisões conjuntas que viabilizaram a construção de um caminho próspero de desenvolvimento. Grandes inventores, como James Watt (que aprimorou o motor a vapor), Richard Trevithick (construiu a primeira locomotiva a vapor), Richard Arkwright (inventor da máquina de fiar algodão hidráulica) e Isambard Kingdom Brunel (construtor de vários navios a vapor revolucionários) puderam aproveitar as oportunidades econômicas geradas por suas ideias, confiando que seus direitos como inventores seriam respeitados e não apropriados por terceiros, e isto fez toda a diferença, levando o ritmo de crescimento de inovações a aumentar exponencialmente.
Se no começo do Século XVIII eram necessárias 50.000 horas para fiar à mão 45 quilos de algodão, a máquina hidráulica de Arkwright era capaz de realizar o mesmo volume de trabalho em 300 horas. As inovações de James Hargreaves em 1.764, e de Samuel Crompton, em 1.779, permitiram que o mesmo trabalho fosse feito em ainda menos tempo, levando apenas 135 horas.
Todo este processo comprova como a conquista da prosperidade depende da resolução dos entraves mais básicos. São as instituições inclusivas e não extrativistas aquelas que fomentam a atividade econômica, gerando aumento de produtividade e da prosperidade coletiva. Os direitos de propriedade são um fator crucial de estabilidade, uma vez que somente quem os tiver assegurados vai se dispor a investir para aumentar a capacidade de produção. Quem acredita que corre o risco de ter a sua produção usurpada, ou exageradamente tributada, terá pouco incentivo para trabalhar e gerar uma maior produtividade e, por conseguinte, uma maior multiplicação de renda, não vindo a ter assim incentivos para investir e inovar. Todo sucesso é alcançado como um produto de uma sequência de pequenas diferenças que propiciam condições favoráveis a que ele seja obtido. Há condições básicas para o desenvolvimento que necessitam ser respeitadas e forjadas, além de ser fundamental que tais direitos estejam garantidos para a ampla maioria da sociedade, de forma que seus resultados sejam os mais abrangentes possíveis.
Para esta multiplicação produtiva, é necessário que se assegure serviços públicos, leis, direitos de propriedade e de liberdade para firmar contratos e construir relações de troca, com uma instituição (o Estado) sendo a detentora de uma capacidade coercitiva de impor a ordem, impedir roubos, fraudes, corrupção, ou qualquer outra forma de desvio de recursos.
Construindo-se as bases de uma dinâmica coletivamente inclusiva, com as pessoas tendo a liberdade para realizar em sua vida as vocações mais adequadas aos seus talentos, alcança-se o sucesso. Quem tiver boas ideias, as irá direcionar para atividades que aumentarão a produtividade e multiplicarão a riqueza coletiva. Um processo em meio ao qual as ações menos eficientes virão a ser substituídas pelas mais eficientes.
Ao menos enquanto não houver grandes rupturas causadoras de colapsos, esta engrenagem estará gerando prosperidade. Esta é a principal lição nos deixada pelas diversas civilizações do passado humano cujas histórias foram aqui contadas: bases bens construídas edificam o sucesso, mas não há quem esteja imune a fracassar se não zelar pela sustentabilidade da cadeira de disponibilidade de recursos.
São várias pequenas diferenças que fazem a diferença do todo. Tudo está condicionado a um acúmulo de escolhas que vão se somando e construindo processos de distanciamento, forjando diferenças na capacidade de desenvolvimento que separam o fracasso e o sucesso coletivo humano.
Acontece do mesmo modo como na natureza, quando processos de isolamento causam diferenças entre duas populações de organismos, e estas vão gradualmente aumentando (pelo processo de diferenciação genética devido a um acúmulo de mutações). Da mesma forma acontece quando duas sociedades similares acumulem diferenças no tempo que as distanciam, sem um caminho pré-determinado.
Assim como no mundo natural, o processo socioeconômico também não é um processo linear. Assim como em todo processo humano, envolve avanços e retrocessos. Após um longo período de tempo, o peso da balança entre escolhas certas (sucessos) e erradas (fracassos) pende para um lado, definindo o grau de evolução social e, por conseguinte, o padrão de desenvolvimento econômico. A diferença está nas bases de alicerce capazes de proporcionar crescimento.
As lições do processo coletivo de crescimento e desenvolvimento da organização coletiva humana são perfeitamente espalháveis às vidas individuais de cada ser humano: nações fracassam quando suas instituições econômicas não conseguem engendrar os incentivos necessários para que as pessoas poupem, invistam e inovem, e assim sejam capazes de investir e evoluir.
Os caminhos da história não são destino, são resultado das escolhas que foram feitas ao longo do processo de caminhada, pois as melhorias nunca são automáticas nem fáceis, sendo consequência de uma confluência de fatores e de amplas coalizões que pressionem para que a prosperidade aconteça. Instituições políticas e econômicas que assegurem direitos e condições o mais igualitárias possíveis para os acessos a recursos, e estabeleçam e lei e a ordem, incentivam assim a realização de investimentos, que são os geradores de prosperidade.
E para que tal desenvolvimento seja sustentado no tempo, o processo requer inovações, as quais não podem ser dissociadas de destruições criativas, as quais sempre tendem a desestabilizar relações estabelecidas de poder na esfera política. Há que se adaptar a tal dinâmica, e entende-la para utilizá-las a favor na opção pelas melhores escolhas possíveis. A capacidade de sustentação deste processo ao longo do tempo foi o que segmentou as civilizações que prosperaram daquelas que não o fizeram.
Do mesmo modo como os genes de duas populações isoladas de organismos vão se diferenciar pouco a pouco, em virtude de mutações aleatórias no chamado processo de diferenciação evolutiva ou genética, duas sociedades que sob outros aspectos são similares também se diferenciam em termos institucionais ao longo do tempo também devagar, através da maturação de pequenos detalhes que impulsionem prosperidade e evolução: cada escolha de trajetória, um destino próprio.
A superação de todos estes entraves, revertendo situações de fracassos iminentes em sucessos, só foi possível graças à inigualável capacidade das habilidades humanas em acumular conhecimentos e deles extrair aprendizados. Foi assim coletivamente na evolução humana, é assim também em relação a como cada um de nós faz suas escolhas e constrói suas respectivas trajetórias de vida, aprendendo com os fracassos, construindo sucessos, e lidando o tempo inteiro com um processo dinâmico de intensas transformações, que nos impõem a necessidade de se reconstruir o tempo todo. Cada vez que caímos, precisamos levantar e recomeçar a andar, revisitando os caminhos. Emocionalmente não somos feitos para desistir e parar, somos modelados para seguir sempre adiante.
A vida é uma pulsação constante. Tudo que é vivo, pulsa, como um coração: expandindo-se e contraindo-se. Todos têm ao longo da vida alguns ciclos de expansão alternados a alguns ciclos de retração. Não há como negar a possibilidade de que a noite venha após o dia, pois não há como haver jamais dias perpétuos iluminados eternamente por luz permanente, assim como nunca existirão anos só de verão e sem inverno.
Até se chegar o dia em que a Terra ferverá, ainda o fará sob a constância de fases mais quentes alternadas a outras mais frias. Nossa vida se arrasta como os dias que se alternam no tempo, alguns iluminados sob o sol, outros nublados e repletos de nuvens sem brilho, e mesmo o de chuvas fracas ou fortes. A vida nos ensina que invariavelmente temos que aprender a lidar com toda esta diversidade de cenários. Assim como temos que saber lidar tanto com os sucessos como com os fracassos. Não há sinfonia contínua e eterna!
Fracassos sempre afetam a todos e a tudo. A lição a ser aprendida é a de que são as respostas às situações enfrentadas que fazem toda a diferença! O que mais importa não é o que acontece conosco, o que mais importa é a forma como reagimos ao que acontece conosco. Ações e inações humanas são aquilo que verdadeiramente fazem a diferença, sempre! O destino repousa em suas próprias mãos e depende substancialmente de suas próprias escolhas!
Há sempre que carregar consigo que há dois tipos de escolha que são cruciais para o sucesso ou para o fracasso: planejamento de longo prazo e vontade de reconsiderar antigos valores. Há que reconhecer o papel crucial destas duas escolhas para o resultado de nossas vidas. Individualmente, na esfera das escolhas pessoais, os paralelos são: entender onde quero chegar como pessoa, e constantemente refletir e se autoavaliar para saber se as suas atitudes te estão levando em direção para onde você quer chegar ou não. A evolução humana nos proporcionou a oportunidade de aprender com os erros de gente distante de nós para tirar proveito e fazer a diferença, e assim nos guiar em direção às melhores escolhas que estão a nosso alcance. Temos que aproveitar isto como uma dádiva nos oferecida, e tirar aprendizados constantes.
Neste processo, é muito importante desenvolver a capacidade de escutar e interpretar, o que tem muito a ver com a capacidade de empatia. É a partir disto que temos o poder de ajustar nossa força de comunicação, o que é um fator chave para solucionar problemas e enfrentar as dificuldades. O mais importante dentro deste processo é buscar conhecimento, que é aquilo que proporciona o poder de racionalização, que por sua vez permite se ater aos núcleos de cada processo e assim superar a aqueles que buscam se impor exclusivamente num tom de voz mais alto. O que realmente faz a diferença nas consequências de tudo o que vem a afetar as nossas vidas é a nossa capacidade de assertividade. Trata-se de buscar entender a todos os fatores que estão em volta de cada situação e as relações entre todos os elementos que estão em volta do problema, permitindo o foco na solução, e assim na superação dos fracassos.
A partir da compreensão do todo, para que haja assertividade, o passo mais importante é sempre o de buscar a identificação da causa raiz do problema. Uma clara definição de qual é o verdadeiro desafio vai te poupar tempo e energia na trajetória para encontrar a solução. Ao longo desta trajetória de entendimento, é crucial ter a humildade de estar disposto a aprender o tempo todo.
Por fim, é preciso coragem para lidar com a situação problemática. Se a discussão pela solução tiver o caminho de assertividade, envolvendo toda a conjuntura sistêmica no entorno, com uma percepção clara das causas, com foco objetivo na solução, e conectando as pessoas com capacidade de resolução da situação, tudo será encaminhado e você não precisará temer. Lembre-se sempre daquelas que devem ser as bases de equilíbrio de sustentação em nosso propósito: é preciso coragem para mudar o que pode ser mudado, paciência para suportar o que não pode ser mudado, e sabedoria para saber distinguir uma coisa da outra!
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