A ampla maioria dos seres humanos não quer a guerra e deseja buscar a paz constantemente, mas não há como evitar que em algum momento da vida conflitos acontecerão. Para lidar com eles, é necessário equilíbrio e inteligência emocionais.
Ainda que as escalas de relações sejam tão distintas, os conflitos globais ao longo da história oferecem várias lições aplicáveis à solução de desavenças cotidianas, pois os princípios fundamentais de conflito - interesses divergentes, falhas de comunicação, preconceitos culturais enraizados e diferenças de visão na hora de cooperação - são universais e intrínsecos à natureza humana. Há duas primeiras lições de entendimento para reflexão e aplicação na vida pessoal: é necessário um entendimento racionalizado de quais brigas podem ser lutadas e quais são causas perdidas e precisam ser contornadas com outras estratégias que não uma conflitiva, e é necessário um entendimento de quais brigas valem ser enfrentadas e quais não, para realmente só se esforçar e concentrar energias naquelas que realmente valem a pena.
Respondidas tais perspectivas, passa a ser o mais importante a consciência de que ouvir genuinamente a perspectiva do outro lado é crucial para construir confiança e respeito, e assim conciliar divergências de pontos de vista que evitem ou ao menos minimizem conflitos. Esta prática ajuda a desarmar tensões e a entender as reais e mais profundas motivações do que cada um realmente quer. Junto a isto, é crucial buscar escutar, interpretar e entender as visões de observadores imparciais que estejam fora do conflito, o que é um quesito diferencial e fundamental, pois ajuda a construir argumentos que facilitarão à racionalidade de um diálogo de construção de consensos, trazendo novas perspectivas e diminuindo a parcialidade enviesada pelas emoções.
Encontrar o foco do que se quer e do que realmente se busca é outra grande lição que a conciliação de grandes conflitos traz em ensinamentos para o nível individual e pessoal. É vital encontrar o foco em interesses específicos e não em posições inflexíveis, é o que constrói negociações eficazes, quando os envolvidos se concentram nos interesses subjacentes, aquelas necessidades e preocupações específicas, em vez de manter posições fixas. Explorar o "por quê" de cada posição ajuda a encontrar as soluções no meio-termo, e buscar formas de proporcionar um ganho mútuo em meio às divergências também é vital, já que soluções em que todos entendam e sintam algum nível de vitória minimizam ressentimentos posteriores, construindo benefícios duradouros.
Assim como num contexto global, onde entender as normas culturais e os valores de distintos povos supera preconceitos, nos conflitos pessoais, respeitar o contexto, a história e a visão de mundo dos outros minimiza julgamentos precipitados e evita mal-entendidos. É crucial entender que tanto a construção quanto a reconstrução de confiança são processos que levam tempo e exigem um esforço continuado. O foco tem que ser o de transformar divergências em oportunidades de crescimento e de entendimento mútuo, e isto envolve uma forja de respeito a uma diversidade de pensamentos e às diferenças culturais envolvidas.
A resolução de divergências envolve a capacidade de conectar argumentos e elaborar consensos que viabilizem a evolução, o crescimento e o desenvolvimento. Uma clara definição e entendimento de qual é a real natureza de um problema vai lhe poupar tempo e energia. Para isto, é preciso ter humildade para se estar aberto e disposto a aprender com o que o outro lado está argumentando.
É necessário se apegar a conhecimentos para entender a todos os fatores que estão em volta de cada situação e entender a todos os elementos envolvidos por detrás das posições sustentadas. Isto é o que viabiliza um foco em soluções e não em apontar os culpados, fator crucial para se desvencilhar da existência de uma carga emocional maior do que a racional.
É preciso construir argumentações sustentadas por uma construção racionalizada das causas e das consequências envolvidas, deixando claro os benefícios mútuos de se encontrar as soluções. É uma construção contínua, na qual desenvolver a capacidade de escutar e interpretar têm uma total relação com a capacidade de se ter empatia, para que, a partir disto, ajuste-se o poder de comunicação, fator chave para a solução de problemas.
Estas soluções emanam da capacidade de racionalizar as relações envolvidas em torno dos benefícios buscados por cada lado. Com uma compreensão do todo, consegue-se ser assertivo na comunicação, o que vem a ser o passo mais importante para contornar a causa raiz dos problemas e solucioná-los.
Diante de situações problemáticas, se o debate por uma solução seguir o caminho de assertividade e da superação, com uma percepção clara das causas e com foco objetivo em soluções e resoluções, será obtida uma fluidez na construção de relacionamentos que terá rumo e direção corretos e saudáveis.
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